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O Arquétipo das Deusas

terça-feira, 18 de maio de 2010

De acordo coma teoria Junguiana, as Deusas são arquétipos, fontes primordiais dos nossos padrões femininos de pensamentos, sentimentos e instintos. Quando a energia de uma deusa desponta em nossa vida, um grande rebuliço se instala no interior da mulher, Um tempo de transformação é vivenciado. Momentos de mudança e de revisão de antigos padrões expressam a necessidade de redimensionar sentimentos e percepções.

ARTEMIS: filha de Zeus e de Latona(leto), Ártemis é a irmã gêmea de Apolo. Virgem severa e vingativa, indomável, aparece na mitologia como o oposto de Afrodite. Protetora, embora temível, por vezes, Ártemis reina igualmente sobre o mundo humano, onde preside ao nascimento e desenvolvimento dos seres.Dela fizeram uma Deusa Lunar, vagando como a Lua e brincando com as montanhas, ao passo que seu irmão gêmeo, Apolo, tornou-se um deus solar. Ártemis também está ligada ao ciclo de símbolos da fecundidade. Ártemis, uma deusa da natureza, em sua forma virgem ou indomada. Permanece próxima dos animais e da caça. Rege a vida dos instintos. Enfatiza o corpo e se volta às atividades físicas. É muito prática em suas ações. Não tem um companheiro ou um amante, está mais propensa a trabalhar na solidão. Gosta de viver perto da terra. Preciso de um estilo de vida independente. O casamento não é algo que busque, mas será tolerado se sua liberdade for respeitada. Aos olhos de certos psicanalistas, Ártemis simbolizaria o aspecto ciumento, dominador e castrador da mãe.

ATENA: deusa da fecundidade e da sabedoria; virgem, protetora das crianças; guerreira, inspiradora das artes e dos trabalhos da paz. Rege tudo que se relaciona com a civilização: a tecnologia, a ciência, as artes literárias, a educação e a vida intelectual. Para a mulher moderna, guia todos os aspectos de sua profissão. Seu lado sombra se expressa na executiva bem-sucedida que dedica o tempo todo ao trabalho deixando de lado as relações afetivas. Ela concretiza, possuindo a balança e avaliando o que realmente importa, podando as arestas. Não está preocupada com um companheiro ou amante. É extrovertida e gosta de atuar com parte em um grupo de colegas. Relaciona-se com um homem com quem possa compartilhar ideais, ambições, metas profissionais e lutas.

DEMÉTER: ocupa o centro dos mistérios iniciáticos de Elêuisis, que celebram o eterno recomeçar, o ciclo das mortes e dos renascimentos, no sentido, provável de espiritualização progressiva da matéria. Ela dá a luz a Perséfone, filha única, que foi raptada por Hades, e se tornou rainha dos infernos. Démeter vai aos infernos em busca da filha perdida. Mãe e filha são representadas na arte como unidas por uma ternura igual. Deméter se revela como deusa das alternâncias entre a vida e a morte, que marcam o ritmo das estações, o ciclo da vegetação e de toda a existência é a deusa da maternidade e de tudo relacionado aos ciclos de reprodução. Simboliza a profunda ligação com os ciclos dos alimentos e do crescimento. Sua energia material muito abundante. Reserva o amor para os seus filhos, com abnegação e generosidade. Segundo a interpretação psicanalítica de Paul Diel(DIES, 197), Perséfone seria o símbolo supremo do recalcamento; e os sentido oculto dos mistérios de Elêusis consistiria na descida ao subconsciente a fim de libertar o desejo recalcado( a fim de buscar a verdade sobre si mesmo)o que pode ser a mais sublime das realizações.

AFRODITE: filha do semên de Urano( o céu) derramado no mar, após a castração do Céu por seu filho Cronos( daí a lenda do nascimento de Afrodite, que surge do mar). Rege o amor e a eroticidade. Tudo relacionado à sexualidade e à relações pessoais. É a Deusa da beleza e das artes visuais. Rege a inspiração artística e o contato criativo entre os sexos. Seu lado sombra emerge nos mistérios que suscita, por estar coberta de véus. Ama o homem adulto, de forma a ser extrovertida. Sente-se feliz com relacionamentos múltiplos, mas irá casar-se conforme lhe vier. Atrai homens criativos. Admira a virilidade em um homem e seu espírito de combate.

HERA: Um dos enfeites habituais de Dioniso, verde em todas as estações, ela simboliza a força vegetativa e a persistência do desejo.É a rainha dos céus , portanto, ocupa-se do poder e da governança. Ela rege o casamento, o companheirismo e todas as funções públicas de liderança. Extremamente preocupada com a moralidade social e com a preservação da integridade na família. É extremamente forte e, pode ser considerada como a suprema extrovertida. Quer que seu homem seja sócio e companheiro.

PÉRSEFONE: filha de Zeus e Démeter, como já vimos ela representa a alternância das estações, pois passava 3 estações no inferno e uma na terra. Por isso, rege todos os contatos com o mundo avernal- o mundo espiritual dos mortos. Está em contato com poderes transpessoais superiores. Rege a mente inconsciente mais profunda, o mundo onírico e tudo que se relaciona com fenômeno psíquico. Conhece os mistérios que ninguém conhece. Tem dificuldade em entrar em contato com a realidade. Sua intuição permanece tão viva que as concretizações tornam-se assertivas.

HÉSTIA: é o arquétipo da sábia virgem. É a Deusa das lareiras. Rege a perpetuação do fogo sagrado tanto o lar como o templo, ficava santificado com a sua entrada. Ela era: “uma presença espiritual como fogo sagrado que proporcionava iluminação, calor e aquecimento para o alimento (Bolen, 19990, p.158) Héstia rege a ação das mulheres nos afazeres domésticos, colocando ordem e harmonia no aconchego do lar. Através destas atividades a mulher pode adquirir um sentimento de harmonia interior, estando assim, em comunicação com o arquétipo da Héstia. No templo desenvolve a comunicação religiosa, cultivando o silêncio e o estado de meditação.
Ref. Bibliográfica:
ARCURI, Irene(Org.). Arteterapia de Corpo e Alma. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2004.- (Coleção Arteterapia)
CHEVALIER, Jean e GHEERBRANT, Alain. Dicionário dos Símbolos. 14 ed.- Rio de Janeiro: Jose Olympio, 1999.

Depoimentos

sexta-feira, 7 de maio de 2010


Deixe também seu depoimento nos comentários.

O coaching mostrou a ponta do iceberg que estava hibernando dentro de nós, gestores corporativos da Crawford. E o que é o iceberg: é a revolução que todos na Crawford precisamos fazer juntos. Posso dizer que isoladamente, muitas das questões que precisam ser enfrentadas para fazer com que a gestão da empresa amadureça estava presente em mim (e creio que nos demais também), porém de forma individual e isolada. O que o Coaching mostrou foi a batalha que é fazer a revolução em conjunto com todos os outros gestores. e com objetivos definidos. E se a contribuição tivesse sido somente isto,  já teria valido. Mas fez mais do que isto.

Sobre Jaqueline: Uma pessoa que, em poucos meses conseguiu entender como funciona a Crawford e obteve visão ampla e geral do "quebra-cabeça" que é a gestão da empresa. Conheceu o perfil pessoal e profissional de cada um. Seu espírito positivo e sempre voltado para o futuro e olhar para frente, foi uma lição importante que deve ficar para todos nós.
Marcos Soares - Crawford Brasil


"O processo de coaching possibilitou e facilitou o crescimento, abrimos algumas feridas, mas não há crescimento sem dor, acho que hoje estamos mais maduros como empresa. Jaqueline é uma pessoa com muita habilidade no assunto."
Gerente Property Crawford Brasil

"Na minha atividade profissional me ajudou muito a me aproximar da equipe, falar, ouvir, dizer sim, mas dizer mais não sem deixar a sensação de "não porque não!" Achei muito boa a avaliação 360°que ao final me trouxe muita segurança e me mostrou pontos que eu tinha dúvidas com relação a forma que os pares e demais colegas de trabalho me viam e pontos que precisava melhorar."O coaching possibilitou-me ampliar a zona de conforto no gerenciamento de equipe bem como na auto-gestão. A troca de experiencia e o aconselhamento às situações diarias permitiram uma reflexão mais profunda impactando no processo de mudança do status-quo. Desenhado e modelado tanto à necessidade do profissional quanto do negócio alinhado as estrategias de médio e longo prazo organizacionais. A Jaqueline demonstra elevada senioridade, experiencia e assertividade os quais contribuiram para um ambiente propicio a quebra de resistencia e crescimento profissional/organizacional."O nosso treinamento, foi como algo inovador... digamos um “up”. Algo novo, renovação e aprendizado. O trabalho de Jaqueline tem sido muito bom, nada como lidar com pessoas que tem ânimos, bons exemplos e eu disposta a novos desafios... sempre."
Vejo ser muito importante também comentar que me ajudou muito na minha vida pessoal, melhorei muito algumas posturas com esposa, filho, parentes e colegas) diferenças que foram percebidas e elogiadas.

O trabalho da Jaqueline é desde a primeira apresentação sempre com muita clareza, objetividade e, eficiência , nunca deixando uma pergunta sem resposta ou um comentário sem consistencia. Além de excelente profissional a energia positiva, ânimo e e dinâmismo que passa quando está presente ao ambiente nos inspira a ter um dia animado e produtivo."
Gerente Marine Crawford Brasil


Sobre Jaqueline: "Sempre disponivel e apoiadora ao processo de change management."
Superintedente de RH da empresa Crawford Brasil



"Jaqueline is a highly effective, personable and experience coach that really knows her stuff. Besides, she quickly grasps where she needs to be flexible and adapts her approach to the dot to satisfy the situation at hand. She is a hard worker and extremely results-oriented. She does it with class and straightforwardness. I highly recommend her services."
Elzo Guarnieri - Progeps Consulting

Trabalhei com a Jaqueline em um projeto de otimização de processos e reorganização estrutural de uma grande organização. O profissionalismo e a qualidade de seu trabalho de Coaching Organizacional, bem como seu vasto conhecimento sobre cultura corporativa, foram fundamentais na promoção das mudanças necessárias
Ricardo Rizzi - gerente de projetos Progeps Consulting

Jaqueline has been all you could wish for in a business partner: insightful, trustworthy, creative, forward-looking, empathetic, resilient, fun and much more. She also became a good friend with whom I enjoy and learn discussing all sorts of subjects, from business to ways of developing human conscience. Over the years I saw Jake strive in her business, being capable of developing herself in a superb coach professional.” 
Berndt Freundt - Accenture Brasil

The result of the coaching process with Jacqueline Weigel brought me a differential in the way of dealing with corporate matters. By knowing some of my points of improvement, I could improve my interpersonal relationships and reinforced the use of my strong points in my process of communication with peers, superiors and subordinates.” 

Daniel Bernardi - manager Behr Brasil

Jaqueline Weigel is very professional, strong knowledgment about Coaching Process, jobs 100% delivered, and outstanding performance in changing processes.” 

Danilo Garcia - Progeps Consulting

The coach service of Jaqueline was very important for my carrer. Change my position and give a upgrade for me and my company 
Fábio Antunes - empresário

Jaqueline is the most foccused professional I had the opportunity to work with. Beside being a wonderful person, she is also an energetic team player, always finding ways to develop and implement new projects and making then sucessful cases. I sincerely admire her persistence and her entepeneurial spirit.”  

Lilian Franco - general manager Unique Garden

We developed in 2008 with Jaqueline Weigel a coaching process in Bradesco Bank CRM Department, that have been very important to identify with my team, their perceptions, needs and expectations. Those gaps contribute to elaborate a plan with medium and long term goals for each person about their professional and personal life.
Jaqueline is a great professional, and with her enthusiam she knows how to motivate people to understand their moment, plan their future and also what to do to make it become real. 

Arnaldo Nissental - Bradesco CRM Director

O perfil ético e a profundidade de seus conhecimentos em capital humano fazem da Jaqueline uma profissional essencial em projetos para empresas que realmente querem crescer e buscar o melhor de suas equipes. Conheço e acompanho o trabalho desenvolvido pela Jaqueline há 4 anos e posso garatir que sua seriedade e visão fizeram uma grande diferença no resultado dos projetos que fizemos juntos. E está se tornando uma referência em Coaching Executivo no Brasil

Wagner Paez - empresário 

Foi uma injeção de animo fazer o trabalho de coaching. Estava num ritmo de piloto automático só recebendo as coisas do jeito que elas vinham na minha vida profissional, sem atuar ou interferir sobre elas. Acho que tenho muito trabalho pela frentee o coaching é somente este impulso e esse direcionamento. Não posso relaxar um segundo pra não correr o risco de voltar à estaca zero.
O trabalho da Jaqueline implica numa empatia direto com ela. quase como psicólogo. E eu tive está empatia já na apresentação que ela fez com a Ana Raia na livraria. Isso foi muito importante para eu acreditar que ela podeira me ajudar, o que de fato aconteceu.
Acho que o trabalho foi muito profissional, focado no empreendedorismo, mas também acolhedor, personalizado.Muito sucesso para vocês!
Vitória Gomes - Arquiteta - Coaching Executivo para Empreendedores
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Luca B. Cavalcanti - Depto MKT BradescoTeam Coaching
VOCÊ É 10!!
Obrigado por tudo! Vocês são muito especiais!


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Candido Leonelli - Diretor Executivo - DpRC Bradesco - Coaching Corporativo
O ambiente de trabalho que , em grandes Organizações , é resultado de diferentes características , que variam desde , a origem de cada funcionário, sua motivação , cultura, usos e costumes eventualmente oriundos de outras instituições , enseja , nos processos de crescimento profissional, comparações , dúvidas , disputas e inseguranças.
Responsabilidade do Gestor tentar alinhar os interesses , desenvolver as competências e promover a integração.
A ferramenta de coaching , endereça com muita pertinência estas tarefas. Cria a necessária aderência do Grupo e permite aflorar os conflitos, seu diagnóstico e encaminhamento de soluções.
Para vencer o ceticismo, a resistência ou mesmo a incredulidade , faz uso de modernas técnicas de treinamento, principalmente capitalizando, incentivando e extraindo de cada um a necessária auto análise, capaz de retirar as barreiras para um movimento interpessoal produtivo e crescente.
Particular crédito deve ser dado a "ruptura" inicial , ou "tratamento de choque", diante do desconhecido, o inédito, o assustador, o democrático, o esforço físico indesejado, a visão obrigatória de equipe, a competição consigo mesmo, a falta de habilidade individual e o necessário sincronismo em ambiente hostil e desconhecido: o REMO.
Sem dúvida esta "ruptura" estabelece fundamentos para uma evolução mais qualitativa do trabalho, oferecendo ambiente propício e revelando até mesmo o que se gostaria ou poderia esconder.
Rompidas as barreiras assiste-se a um processo iterativo e participativo que sem dúvida atende os mútuos interesse de cada individuo e da organização.
Sinto que todos "crescemos" neste período.
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Márcia Kiyomi - Dep. Treinamento e Planejamento do Banco Bradesco S/A
Segue um resumo das avaliações dos 8 grupos sobre o Coaching Corporativo, e um depoimento pessoal.

Avaliações do grupo:

- 8 grupos acharam o treinamento muito bom, diferenciado, adequado, e que agrega valores profissionais e pessoais.
- Quanto a expectativas correspondidas, a media dos 8 grupos apontaram como "ótima"


O curso conseguiu alcançar o objetivo e a demanda do Departamento Marketing. Por tratar-se de um curso outdoor e inovador, conseguiremos mensurar o resultado no cotidiano trabalhista dos participantes, mas acredito que o êxito será alcançado por grande parte dos treinandos.
Com relação ao horário (ser pontual ao iniciar o treinamento) foi de suma importância para os treinandos, pois agrega limites e regras, e este item foi conduzido a contento durante o treinamento.
Gostei muito do curso: diferenciado, inovador, bem conduzido.


Sucesso!!!!
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Sérgio Rickevicius - Diretor executivo Grupo Melo Cordeiro - Coaching Executivo
Consegui após o coaching ficar mais centrado e capaz de lidar com as diversas situações que se empoem no dia a dia da cia. Como fiquei mais confiante, fiquei também mais ousado em termos profissionais e como conseqüência mais tranqüilo. Minha base mudou para melhor, consigo liderar o time com muito mais naturalidade, sendo menos impositivo e entendendo o meu time.
Algumas áreas fornecem teoria farta e de certa forma de fácil entendimento, mas em contrapartida de efetiva implantação muito dificil. Entendo que Jaqueline consegue "implantar" o trabalho, que para mim é a parte mais complicada, ainda mais tratando de comportamento, atitudes, etc.


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Deborah Almeida - Diretora da Fun Toones - Coaching Executivo

A mim, proporcionou um olhar mais apurado para minhas qualidades e competências profissionais, impulsionando assim minha carreira. O processo nos conduz ao auto-conhecimento, facilitando a compreensão dos nossos limites e abrindo as portas para um crescimento pessoal e profissional.
O perfil profissional da coach Jaqueline é excelente. Gostei da forma como ela conduziu o trabalho, sendo, firme, objetiva e com uma facilidade incrível em dizer as palavras certas e da forma mais assertiva possível.
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Marcos Nazareno - Diretor superintendente do Banco Bradesco S/A - Coaching Executivo
Para mim, reforçou uma decisão já tomada de me relacionar com a minha equipe de uma forma mais transparente transmitindo para eles toda experiência e conhecimento adquiridos na minha vida profissional. Decidi que o relacionamento com minha equipe devia ser baseada na lealdade, amizade e dedicação ao aperfeiçoamento de cada um. Para o departamento que trabalho, trouxe o benefício importante de unir mais as pessoas das diferentes áreas que até então tinha uma visão muito fragmentada da nossa missão e uma convivência distante e impessoal. Acho que todos evoluíram no sentido de uma maior integração entre todos.
A Jaqueline se portou como um verdadeiro farol que nos levou a novos patamares de percepção de como deve ser um bom relacionamento entre as pessoas. A energia e dinamismo da Jaqueline contaminou e inspirou todos do departamento. Nas atividades do remo e nas sessões de trabalho do coaching.
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Arnaldo Nissental - Diretor DpRC do Banco Bradesco S/A - Coaching Executivo

No meu caso a grande contribuição do processo de coaching, foi a decisão tomada em relação a minha saúde, que acaba tendo reflexos positivos na vida pessoal e profissional.
No que se refere a equipe, está sendo uma grande oportunidade para que as pessoas possam se posicionar, expressando suas expectativas, ansiedades e respectivas sugestões, para que se tenha um ambiente mais integrado e com clareza quanto aonde e como queremos chegar.
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André Gomes – diretor Nova Estratégia - Coaching Executivo
Sobre o processo: objetivo, focado em resultado e prático. Tem organizado as coisas/questões que achava que estavam claras e que durante o processo percebi que não estão. Gostei muito da avaliação 360° e do potencial de trabalho que pode ser desenvolvido a partir dela. Tenho me policiado mais no meu dia a dia.

Sobre o trabalho da Jaqueline: Clareza, objetividade, eficiência e perspicácia. Excelente profissional.

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Luciana Aguiar – diretora PriceWaterhouse Coopers - Coaching Executivo
Foi uma experiência diferente, construtiva e proveitosa. Me ajudou a organizar melhor algumas idéias, entender alguns aspectos importantes da minha vida, e principalmente a reservar um tempo para analisar assuntos pessoais. O choaching foi proveitoso a medida que me ajudou a estruturar uma metodologia de avaliação de situações e planejamento de ações visando tornar meu processo de decisão mais organizado e seguro. Já consegui repetir a técnica de análise de situações chaves e tenho percebido que isso me ajuda no dia a dia. Consegui, durante o processo, sintetizar missões e objetivos de vida, percebi a importância de determinadas pessoas, eventos, etapas da minha vida e talvez esteja me sentindo mais preparada para enfrentar os novos desafios que surgiram nos últimos meses.
A despeito dos resultados práticos (citados acima), foi satisfatório e prazeroso pelo tempo de conversa franca e objetiva, pela troca de experiências, pelo auxílio em análise de situações e tarefas. A Jaqueline é uma pessoa positiva, objetiva, sensível e muito agradável. Inspirou confiança por demonstrar estar preparada para a sua função, respeitou os meus limites nesse processo, foi flexível quando necessário, tornando o processo bastante produtivo.
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Sobre Jaqueline: Uma pessoa que, em poucos meses conseguiu entender como funciona a Crawford e obteve visão ampla e geral do "quebra-cabeça" que é a gestão da empresa. Conheceu o perfil pessoal e profissional de cada um. Seu espírito positivo e sempre voltado para o futuro e olhar para frente, foi uma lição importante que deve ficar para todos nós.

28- Um Fenômeno Chamado Minha Mãe

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Foto: Kau Mascarenhas / Mari aos 45 anos

Um Fenômeno Chamado Minha Mãe

(Kau Mascarenhas)


Vou lhe apresentar minha mãe: Marina. Mas pode chamá-la de Mari, seu apelido para os que a amam, ou seja, todos os que a conhecem.
Mari pode ser vista como um fenômeno ou mesmo uma extraterrestre, pois a ela não se aplicam os pensamentos que costumeiramente temos acerca das mães terrenas. Mas, sobretudo agora que é portadora de necessidades especiais, ela se mostra uma grande professora de vida para nós que estamos aqui na terra.

Muita gente confunde a idéia de ser mãe com a da mítica Amélia, eternizada pela canção de Ataulpho Alves e Mário Lago, tida como “mulher de verdade”. Mãe, portanto, seria aquela que pensa apenas no outro, na família, e esquece de construir sonhos pessoais ou até mesmo de cuidar de si.

Mari, minha mãe, não é assim. Nunca foi.

Sabe aquela outra canção que desenha a figura da mãe numa cozinha com o avental todo sujo de ovo, e coisa e tal? Essa imagem também não tem nada a ver com ela.
Que bom perceber que minha mãe não é desse jeito.

Vale ressaltar que admiro todas as mães, inclusive aquelas que são tidas como “normais”; se elas estão felizes e aqueles que as cercam também, que problema há nisso? Há mulheres que sonham com esse papel e o desempenham contentes, fielmente, como as canções antigas preconizam.

O ponto é que, para mim, foi muito importante ter a mãe que eu tenho. Do jeitinho dela.

Foto: Carlos e Mari, meus pais e eu com algumas semanas de vida

Desde que me entendo por gente eu a via sair pela manhã para a sua sagrada sessão de ginástica na academia. Passeou por todas as modalidades possíveis de atividades como aeróbica, rítmica, jazz, sapateado, e nos últimos anos fazia localizada e musculação com maior frequência. Foram 30 anos de atividade física diária que mantinha seu corpo pelo menos dez anos mais jovem do que dizia sua carteira de identidade.


Foto: Mãe com colegas no teatro em apresentação de dança / anos de 1980


Sua beleza me fez, por várias vezes, ficar aborrecido pois, quando garoto, tive que ouvir dos meus amigos algumas gracinhas como “a mãe do Kau é gostosa”!
Se eu fosse do tipo brigão, pode crer, estaria cheio de cicatrizes. Mas nunca nessa vida dei um murrinho sequer e, magrelo como eu era, provavelmente não seria muito inteligente sair no braço por causa disso. Seria trucidado. Por outro lado, no fundo, aqueles comentários eram uma espécie de elogio.


E por falar em infância, certa feita, eu devia estar com dez anos, lembro que andava por uma rua perto de casa quando uma menina desconhecida acompanhada de amigos apontou o dedo em minha direção e gritou: “Um esqueleto ambulante!”. Depois, todos olharam pra mim e explodiram na risada. Nossa! Aquilo doeu. Nunca havia me dado conta de como meu corpo era franzino. A vergonha me fez corar e correr dali.
Mais tarde chorei contando o episódio a minha mãe. Ela colocou minha cabeça em seu colo e me disse que era normal ser magrinho pra minha idade, e que eu era lindo. Falou também que um dia eu teria um corpo diferente, que eu seria bem forte e ninguém falaria nada disso pra mim outra vez.
Não me importava saber se as profecias dela se cumpririam. O que importava era aquele acolhimento, aquela mão acariciando meus cabelos e a doçura de suas palavras.


Quando se tratava de imagem pessoal ela foi sempre bastante cuidadosa. Nada a ver com a Amélia da canção.
Por que o fato de ser mãe levaria obrigatoriamente uma mulher a ser desleixada, desarrumada e descuidada com a aparência física? Salvo exceções relacionadas às prioridades que a vida apresenta, todos podemos nos cuidar e dedicar algum tempo ao bem-estar, à saúde e à estética.
Ela sempre foi muito ativa, cheia de vigor, de ânimo. Por isso, mesmo quando meus sobrinhos Bruno e Gabriel nasceram e ela se tornou avó, a imagem da senhora numa poltrona com livro no colo, contando histórias para crianças deitadas em almofadas ao seu redor nunca combinaria com ela.


Ela dizia: “- Darei muito trabalho a D. Velhice quando ela quiser chegar. Minha cabeça é de menina e meu corpo será assim também, pelo tempo máximo que eu conseguir!”


Foto: Mari aos 46 anos


Há, igualmente, quem pense que todas as mães adoram cozinhar para os filhos e o marido. Quebremos mais uma generalização: a minha resmungava toda vez que ficava sem empregada e amaldiçoava o trabalho caseiro dizendo que era uma forma de escravidão.
“- E depois que deixei a cozinha toda arrumada, já está na hora de fazer a mesma coisa de novo! O ciclo recomeça, e nunca tem fim. E mais, meu filho: se estiver tudo perfeito ninguém fala nada; mas se houver alguma falha todo mundo nota! Serviço ingrato!”
Depois de dizer essas coisas ela fazia um muxoxo e caia na gargalhada.


Nada tirava seu bom humor; nem mesmo a pia cheia de louça pra lavar.
Por isso, nas poucas ocasiões em que estivemos sem auxílio de empregada ela cuidava de tudo muito bem, mas reservava-se o direito de fazer suas reclamações, obviamente.

Outra coisa que se fala costumeiramente das mães é que elas interferem demais na vida dos filhos. A minha nunca fez isso.
Ela sempre me apoiou nas decisões que tomei, sem nunca se meter ou xeretar minha vida pessoal.
“ – Paco, - era essa a sua forma de me tratar – se precisar conversar me fale. Estou aqui.”
Essa frase era sua forma de dizer que seu amor estava ao meu lado, mas só entraria se eu abrisse a porta. Ajudar e influenciar sem impor seus mapas de realidade é um grande talento.



Foto: Mari aos 46 anos

Por isso, nela também não se encaixam quaisquer das malvadas qualidades que se lançam às sogras, nem seria possível vê-la protagonizando alguma das piadas perversas que existem sobre o tema. Minha ex-esposa Marta a trata com carinho de filha até hoje, mesmo depois de dez anos de separação, pois ela sempre foi excelente sogra.

Noto que ela sabia transitar através das posições perceptivas com maestria. Notava quando era importante estar no EU, marcar seu espaço, dizer o que pensava e queria. Se deslocava para a posição de OBSERVADORA nos momentos em que era bom estar de fora, ser imparcial. E era genial na posição do OUTRO. Verdadeiramente sentia-se com o outro, imaginava-se dentro dos sapatos do outro e era capaz de auxiliar com total dedicação.

Assim foi nas inúmeras vezes em que amigos e parentes pediram sua ajuda.
A Mari-sorriso da academia de ginástica se transformava na Mari-auxiliadora ao lado de alguém num leito de hospital. Levava e trazia pessoas para médicos, exames, ou cuidava de forma amorosa daqueles que precisavam de apoio colocando-se a seu dispor.
Duas tias queridas, suas irmãs, saíram deste mundo por causa do câncer de mama. Minha mãe cuidou das duas, esteve presente com seu carinho e sua atenção, ajudando como podia até o fim.


Essa doença visitou nossa família de tempos em tempos.

O tumor no pâncreas do meu pai, extraído numa cirurgia bastante delicada, cerca de quinze anos antes, retornou mais tarde dessa vez, no fígado. E de novo Mari assumiu um papel de enfermeira, além de esposa e amiga, apoiando e cuidando de todas as necessidades dele.
Meus pais foram um casal-modelo de amor para mim em vários aspectos, sobretudo no respeito às diferenças. Minha mãe pensava e agia de forma muito própria e meu pai sempre a compreendeu e respeitou, sendo bem tolerante com sua personalidade efusiva e agitada.


Tímido, reservado, calado, parecia seu oposto perfeito. Apenas parecia, porque de verdade eu via muitas coisas em comum nos dois, especialmente valores e princípios.
Por vezes, a fobia social de meu pai fazia com que dissesse que seu maior sonho era morar numa fazenda no meio do Pantanal do Mato Grosso, cercado de jacarés, pra não precisar ver ninguém além da esposa e dos filhos. Falava em tom de brincadeira, mas sabíamos que era a mais pura verdade.
E ela respondia: “- Mande uns postais de lá pelo correio pra mim, viu? Eu vou ficar por aqui.” Ambos riam muito quando repetiam esse texto, que já havia se tornado uma piada do casal.


Esse, definitivamente, não era o sonho da minha mãe.

Mari sempre dançou, brincou, sorriu, cantou, saiu com amigos, estava em plena atividade, a mil por hora, aprendendo música – experimentou aulas de teclado, violão e acordeom – adorava festas, karaokê, sair, ver pessoas, carnaval, conversar, ajudar pessoas.

E a vida deu voltas. E nos trouxe surpresas...

Aos 60 anos, saindo da sua sessão de ginástica na academia, minha mãe teve um AVC isquêmico enquanto dirigia voltando pra casa. Sim, um acidente vascular cerebral não hemorrágico em pleno trânsito.
Felizmente não se envolveu num acidente mais grave pois seu carro estava em baixa velocidade e colidiu com um outro que estava parado, não havendo maiores conseqüências.


A área lesada foi bastante extensa e as seqüelas são importantes ainda hoje, cinco anos depois.
A interrupção do fluxo sanguíneo no cérebro atingiu a maior parte do hemisfério esquerdo afetando, portanto, os centros da fala e os movimentos de braço e perna direitos.

Aquela Mari que cantava, que gravou um cd, que falava muito, dançava e fazia ginástica ficou diferente a partir de então.

Seu vocabulário foi reduzido para cerca de 12 palavras e há hemiparesia do lado direito: braço e perna não têm tanta força motora nem podem ser comandados pelo cérebro como antes, portanto não se movimentam de maneira normal. Ela usa uma órtese na perna direita e para se deslocar por maiores distâncias precisa de uma cadeira de rodas.

De qualquer forma somos abençoados. Conversando com um de seus neurologistas recentemente soube que, para a extensão da área lesada, vendo as lâminas dos seus exames de imagem, poderíamos dizer que se trataria de um paciente em estado vegetativo, ou demente, sem muita capacidade de interagir com o mundo exterior.

Minha mãe, contudo, surpreende pois está com memória ótima, atenção e compreensão igualmente ótimas, e responde maravilhosamente bem, com gestos ou expressões faciais, ou mesmo com um “não” ou um “tá” – sua forma de dizer “sim” - a todas as questões que lhe são feitas. Sua concentração melhora a cada dia e os exercícios que vem fazendo nas sessões de fonoterapia com a Dra. Célia Regina Thomé envolvendo até contas de matemática simples, são bastante poderosos nesse sentido. Sua habilidade de comunicação também vem sendo auxiliada em exercícios musicais. Dra. Célia propõe que ela entoe alguns mantras e isso ajuda no reforço de sinapses e na construção de novos caminhos neurais para a expressão.



Mari me dando coca-cola com a mão esquerda, praia de Villas, 2010




Além de sua fonoterapeuta, Deus nos enviou outros bons anjos sob a forma de profissionais que estão fazendo essa caminhada ser enriquecedora e mais leve. Inicialmente os fisioterapeutas do Hospital SARAH e atualmente os da clínica BIOS, sobretudo Mariana e Marise, vêm fazendo muito mais do que cuidar-lhe do corpo físico. Estão oferecendo ânimo e carinho, suporte emocional indispensável para sua recuperação e para a manutenção das conquistas já alcançadas. Do mesmo modo massoterapia, terapia ocupacional e acupuntura foram de grande valia.

Dentro de casa também contamos com a presença amorosa de auxiliares e técnicas em enfermagem com as quais ela também desenvolve um relacionamento de parceira e amizade. São pessoas espetaculares que cuidam de Mari com grande dedicação. Tanto as atuais, Edna e Luiza, como as que já estiveram com ela anteriormente, Dilma e Francis, são seres humanos cheios de paciência e doçura, e sabem o real sentido das palavras cuidar e servir. Maristela, sua empregada, que sempre está cantando e de bom humor, também contribui para um clima favorável à manutenção de um ambiente energeticamente saudável.

Médicos competentes também fazem parte desse processo como o Dr. Wilde Robert, cardiologista que a acompanha desde o início.

Além de mim e do meu irmão, são muitos os parentes e amigos que lhe dão apoio e carinho através de visitas constantes.

Você já imaginou que um AVC ou alguma outra doença pode representar mudanças bastante significativas para a percepção da realidade que nos cerca, e para a valorização das pessoas que convivem conosco?

Dra. Jill Bolte Taylor, dedicada pesquisadora do cérebro humano, conta em seu livro “A Cientista que Curou o Próprio Cérebro”, o quanto foi importante estar cercada de pessoas especiais, generosas, e que compreenderam o processo pelo qual passava após ter um derrame cerebral. Sua abertura à mudança foi gigantesca após a doença e os oito anos de tratamento, o mesmo acontecendo com aqueles que a acompanharam.

Dra. Jill teve um AVC hemorrágico que criou em sua cabeça um coágulo sanguíneo do tamanho de uma bola de pingue-pongue. Embora não tenha sido um AVC isquêmico como o que ocorreu com Mari, aconteceu no mesmo hemisfério: o esquerdo.




Trata-se do lado responsável pela lógica, pela comunicação verbal, e é, portanto, analítico e simbólico. Quanto aos movimentos, o hemisfério esquerdo comanda o lado direito do corpo.

Então, quando virmos alguém que teve lesões nesse hemisfério por acidentes ou doenças, observaremos que seus movimentos corporais comprometidos serão os dos membros do lado direito. Também terão afasia e/ou apraxia, distúrbios na fala que apresentam incapacidade da formulação simbólica dificultando que as palavras sejam associadas com os sons correspondentes, ou incapacitando a construção dos movimentos fonadores, atos voluntários que permitem a articulação e a emissão da voz.

Assim como a Dra. Jill, minha mãe teve desde o início problemas relativos à linguagem além das dificuldades de movimentação e da compreensão da escrita. As letras de um jornal, revista ou livro passaram a ser símbolos sem qualquer significado.

O lado direito tem, por sua vez, a função de síntese, de percepção do todo, e é o hemisfério da criatividade, da intuição e da fantasia.

Dra. Jill disse que apesar da dor forte que sentiu quando estava experimentando o AVC, com seu lado esquerdo do cérebro imerso internamente numa poça de sangue, havia um senso de mistura com sistemas maiores que ela própria, como se não houvesse fronteiras que definissem onde ela terminava e onde começava algo ou alguém além do seu corpo. Uma sensação prazerosa de misturar-se com o todo começou a invadi-la. O lado direito estava operando sozinho em plenitude trazendo uma espécie de êxtase.

Ela também ficou com seqüelas bastante importantes inicialmente.
Sua mãe e alguns profissionais que a assistiram tiveram grande participação em sua recuperação que, diga-se de passagem, foi perfeita. Diferente do caso da minha mãe, o da Dra. Jill permitia uma intervenção cirúrgica. A operação era bem arriscada, mas poderia devolver muitas de suas capacidades e habilidades anteriores. Felizmente a cirurgia aconteceu e os resultados foram os melhores.


Após o derrame, a operação e oito anos de tratamento Dra. Jill, a pesquisadora de Harvard que se dedicara a estudar o cérebro humano estava muito diferente. Hoje em suas palestras ela enfatiza a importância do hemisfério direito do cérebro na busca de um mundo diferente, e a prevalência de valores humanos nobres como a compaixão. E é muito interessante observar que essas palavras não estão saindo de um guru da new age e sim de uma neurocientista.

Ela recebeu muita ajuda. Entretanto nada seria possível se ela própria não abrisse espaço para o auxílio chegar.

Nenhuma ajuda pode começar sem a auto-ajuda. Esse é um livro que trata de uma linda história de superação e auto-encontro. Eu recomendo a todos.

Bem, muitos se desesperam com uma grave doença que traga limitações, semelhante a essas com as quais Mari e a Dra. Jill aprenderam a lidar.

Eu vi minha mãe saltitando e cantando num determinado dia de verão de 2005. No outro ela estava na UTI respirando através de aparelhos e cheia de fios conectados em seu corpo.
Depois de um mês inteiro no hospital ela retorna para casa numa cadeira de rodas, procurando se situar ainda em relação ao que poderia e ao que não poderia mais fazer.


Não conseguia se equilibrar de pé, não tinha controle dos esfíncteres, não compreendia direito o que lhe era dito, mastigar alimentos ainda era difícil, comunicar-se conosco era uma tarefa complicada porque apenas sabia apontar com o braço esquerdo algum ponto e esperava que compreendêssemos o que ela desejava.

Engana-se quem imagina que ela se abateu com isso ou se tornou um ser amargo e deprimido.
Por ter sempre a mente repleta de otimismo e muita força interior, com o passar do tempo suas vitórias começaram a acontecer.


Vibrávamos com cada uma delas: o momento em que passou a não mais depender de fraldas descartáveis, o instante em que sua alimentação começou a se normalizar, o dia em que se colocou de pé sem precisar de auxílio, o surgimento de uma compreensão gradativamente melhor para o que nós lhe dizíamos, enfim, pequenas conquistas que para nós representavam motivos de festa.

É bom que se diga: nem todo o processo contou com seu sorriso contagiante. Houve alguns momentos de tristeza logo no início, decorrentes da tomada de consciência de que lidaria com limitações importantes a partir dali. Entretanto, logo-logo ela respirou fundo e mostrou sua resiliência, sua capacidade de enfrentar dificuldades saindo mais forte de cada uma delas.

Quando a doença dela caiu de pára-quedas em nossas vidas meu pai estava se submetendo a sessões mensais de quimioterapia. E agora ele era convidado a deixar de pensar na própria doença para cuidar de sua companheira.
A vida propôs um revezamento: minha mãe cuidara do meu pai quando ele adoeceu. E aquela era a vez dele dar força a ela, mesmo estando doente.



Foto: Carlos e Mari, meus pais, em 2008 / Praia de Villas, Lauro de Freitas BA


E quando, por fim, ele faleceu no ano passado, depois de um mês hospitalizado, a saudade e a tristeza se derramaram sobre nós todos.

Fiquei angustiado também com a idéia de que sua morte pudesse abalar as estruturas dela.
Seria a ausência do companheiro com quem conviveu 43 anos capaz de afetá-la de uma maneira muito séria, ao ponto de fazê-la entrar em depressão? Além das limitações físicas, a ausência do esposo agora poderia tirar dela o brilho, a alegria de viver, e a vontade de se recuperar?


De fato houve tristeza, dor, certa prostração que perdurou por algumas semanas, nas quais Mari não quis ir às sessões de terapia - fisio, hidro e fono – ficou mais tempo na cama silenciosa, comeu menos. Ao seu lado, busquei lhe dar ainda mais carinho do que antes, e me mantive silencioso com ela em muitos momentos, de mãos dadas, enquanto via seu olhar perdido e marejado, por vezes repetindo o nome do meu pai. “- Carlos... Carlos...”.

Entretanto, como lhe disse antes, ela não é deste planeta.
Após o luto natural, deu uma guinada absurda e retomou suas atividades terapêuticas com energia.


Faz quase um ano que meu pai se foi e ela está muito bem. Sorrindo das piadas bobas que faço, saindo para fazer compras no supermercado comigo – adora a cadeira de rodas elétrica que a loja G-Barbosa coloca à disposição dos clientes com necessidades especiais. Continua assistindo a seus programas e novelas preferidas na TV, se empenhando nas sessões com os profissionais que podem ajudá-la a sentir-se melhor e a recuperar suas capacidades, e ensinando a todos lições diárias de coragem, dignidade, contentamento e perseverança.



Eu e Mari, reveillon 2009 / 2010


Acredito que minha mãe tem grande responsabilidade pelo fato de eu poder abraçar meu trabalho como consultor em desenvolvimento humano com tanta energia atualmente. Ela é uma inspiração constante e me mostra na prática o que a Programação Neurolinguística ensina sobre poder pessoal de superação.

Mari é um fenômeno para mim, sendo da forma dela. Ela é exatamente do jeito que eu precisava para ser quem sou. Já reconheci o tesouro que é a minha mãe.
E você já detectou a jóia preciosa que é a sua?

Convido você a perceber o fenômeno que a sua própria mãe é. Quantas virtudes, características peculiares e talentos ela tem e você ainda não percebeu? Com quantos recursos ela já lhe proporcionou contato e quantos estados enriquecidos ela já eliciou em você tornando sua vida mais feliz e produtiva?

Diga-me com sinceridade: quantas foram as vezes em que você agradeceu a Deus pela mãe que Ele lhe ofereceu nesta vida?

Pode ter certeza que as mães não são perfeitas, não se mostram como seres mágicos, míticos, nem são obrigadas a ser anjos. Elas são simplesmente pessoas como eu e você, e aquilo que oferecem é o melhor que têm para dar.

Mas mesmo não sendo pessoas perfeitas, são as fornecedoras perfeitas de tudo o que precisamos para aprender, crescer e mudar, enfim, para deixar com que nossa alma se expresse com plenitude na vida.

Termino esse artigo agora, na quarta-feira, dia 05 de maio de 2010, às 12:19h, e no próximo domingo comemoraremos o Dia das Mães. Sinto-me feliz pois estou indo agora mesmo almoçar com uma mulher muito especial, que parece não ser desse mundo. Ela estará me esperrando em sua poltrona, sorrindo como sempre.

Eu e Mari, reveillon 2009 / 2010


Mudará o canal da TV para que eu não a veja assistindo aos programas com noticias violentas que são exibidos justamente na hora do almoço. Riremos dessa traquinagem dela. Sempre digo: “ao invés de ver esse monte de sangue e todas as misérias do mundo, justo na hora de comer, que tal assistir a alguma coisa mais leve, minha flor?” Ela dirá “tá”. E amanhã à mesma hora estará com o olho grudado na tela que exibe a eterna luta de bandidos e policiais nas favelas, gente morta desovada na mata e brigas entre torcidas organizadas. É sua subpersonalidade com atitude teimosa se mostrando.

Direi “oi” e ela responderá com outro “oi”, para logo em seguida dizer o “boa tarde” musical que lhe ensinei. Sim, como ela já sabia dizer “bom dia” e “boa noite”, mas não havia meios de reaprender a dizer “boa tarde”, eu coloquei na frase algumas notas musicais e a partir de então ela passou a acertar. Curiosamente os centros no cérebro que possibilitam o canto não são exatamente os mesmo centros que administram a fala. É outra subpersonalidade sua com comportamento perseverante procurando alternativas.

Depois vamos comer castanhas de caju e tomar um pouco de vinho doce suave de que ela gosta, embora esse não seja o meu predileto. Conversaremos sobre novelas de TV e ela fará também, com gestos e expressões faciais, eu entender coisas a respeito de como foi sua manhã e me dirá, da sua maneira, algo acerca de compras a fazer, contas a pagar etc. Sempre sorrindo, mostrará os cabelos levando a eles a mão esquerda me dizendo assim que quer tintura para retocá-los pois alguns fios brancos estão aparecendo. É a forma da sua parte vaidosa dizer “eu continuo existindo, e porque seria diferente?”

E por fim, sentaremos à mesa da cozinha e almoçaremos batendo papo do nosso jeito especial, fenomenal e extraterreste.

Comunicação especial, fenomenal e extraterrestre, como é o nosso amor.


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conheça o trabalho da Dra Jill Bolte Taylor:
http://www.youtube.com/watch?v=ur7MsKQU0vk



Esse texto foi escrito originalmente em 2010. Atualmente minha mãe está sendo assistida pelo competente fisioterapeuta Nildo Ribeiro e sua genial equipe. Espaço Vida - Pituba, Salvador - Bahia.

ALMA BENDITA

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Minha alma tem sede de busca.
De busca tem sede minha alma.
Ela não se cansa.
Perpetua.
Insaciável é sua sede.
Uma luta sem fim.
Uma história sem começo.

Fugaz é a minha alma.
Nela repousa meu coração.
Se cala, mas reclama.
Grita, mas continua calada.
Busca, chama.
Pede por socorro.
E não descansa.

Corre, voa.
Vai até onde pode.
Chora, sorri.
Se esconde.
Sua natureza é essa.
Sua força é essa.
Até onde vai... Alma bendita?
Josiane Paraboni Outubro/07

FRASES DE JUNG

Todos nós nascemos originais e morremos cópias.
Carl Jung

A Importância do Trabalho Coproral no Processo Arteterapêutico

domingo, 25 de abril de 2010

Nosso corpo revela nossa personalidade, guarda memórias e expressa nossas vontades e desejos. É a forma de expressão mais pura e verdadeira daquilo que trazemos, pensamos e sentimos no decorrer de nossas vidas, como a tela de um filme onde ficam gravadas nossas experiências, vivências, nossa história.

Segundo Reich, formamos couraças musculares a partir das experiências e traumas que vamos vivendo, enrijecendo nosso corpo e gerando bloqueios, impedindo que a energia flua naturalmente, diminuindo em consequência disso, nossa energia vital.

A diminuição da oxigenação nos tecidos por sua vez, leva a estase energética, mantenedora da tensão que mais tarde torna-se inconsciente e perpetua a neurose. Estase – termo utilizado por Reich e adotado por seus seguidores – implica numa redução da circulação sanguínea que altera a oxigenação nos tecidos, enrijecendo-os e gerando bloqueios. É o processo inicial do que Reich chamou de encouraçamento.(VOLPI, 2003,p.15)

Contudo, na medida em que nos vamos trabalhando, nos conhecendo melhor e tomando uma maior consciência corporal de nós mesmos, eliminamos as couraças e deixamos o corpo seguir seu fluxo de energia livremente. Este processo faz parte do autoconhecimento e desenvolvimento pessoal, onde a pessoa busca a si mesma, valorizando-se e cuidando do próprio corpo, reintegrando o seu próprio ser à totalidade: corpo, mente, energia e espírito. Segundo Lola Brikman,

O movimento constitui uma unidade orgânica de elementos materiais e espirituais que se integram numa totalidade.


(...) sua prática leva à manifestação da personalidade, a um conhecimento e uma consciência mais completos, para fora e para dentro de si mesmo e, enfim, a uma comunicação fluida, capaz de promover uma profunda transformação da atitude básica da personalidade.( BRICKMAN, 1989,p.16)

Desta forma, para que aconteça este processo de busca, de autoconhecimento e de desenvolvimento, é que o trabalho de arteteterapia vem a contribuir aliado à diversas técnicas corporais, normalmente utilizadas, durante o trabalho arteterapêutico, para que a pessoa saia do processo extremamente racional em que está, logo que chega para o atendimento, e passe para um estado maior de relaxamento e consciência corporal, deixando vir à tona no momento da expressão plástica expressiva: sentimentos, sensações e desejos que estão no inconsciente, como um verdadeiro espelho da alma, onde é refletido o conteúdo interno que está mais latente no íntimo de cada pessoa. Jung já dizia que através da expressão destes registros e conteúdos, é que podemos nos ver e nos perceber de forma diferente, retirando nossas máscaras e nos conscientizando de quem realmente somos.

Algumas das técnicas corporais que podem ser utilizadas junto ao trabalho de arteterapia são: relaxamento, yoga, biodança, expressão corporal e as brincadeiras infantis. Cada uma dessas técnicas exerce uma determinada função que seja melhor para cada caso ou situação.

O relaxamento aliado à respiração provoca um enorme bem estar, proporcionando paz e equilíbrio interno, trabalhando questões emocionais e psíquicas de uma forma tranquila e saudável.

A prática de posturas no Yoga, chamadas asanas, traz um equilíbrio físico e mental, proporcionando uma sensação de paz e leveza no corpo. De acordo com Irene Arcury, psicóloga e arteterapeuta:

Essa imobilidade corporal provoca um silêncio mental ampliando a consciência de si mesmo proporcionando um efeito extremamente calmante. (ARCURY, 2006, p.88)



A biodança e a expressão corporal promovem um contato maior consigo mesmo, expressando através do corpo: vontades, desejos, idéias e pensamentos.

Ao dançarmos, recriamos o mundo abrimos novas possibilidades, sentimos prazer e gratidão por ter nosso veículo. (ARCURY, 2006, p.90)

As brincadeiras infantis resgatam nossa criança interior resgatando a alegria de viver, nos levando de volta ao mundo da imaginação e da criatividade.

Por meio das brincadeiras, reeditamos nossa vida de forma
prazerosa. (ARCURY, 2006, p. 91)


Assim como as técnicas corporais exercem determinada função durante o processo de busca e autoconhecimento, na arteterapia, as técnicas expressivas plásticas como: o desenho, a pintura, a mandala, a argila e a colagem também desenvolvem determinado papel.

O desenho e a pintura, através dos gestos e das cores possibilitam a reestruturação do mundo interno, pois trabalha o concreto, a ação e a percepção. A pessoa expressa o que está sentindo, revelando formas, desejos e conteúdos do inconsciente, revelando-se a si mesmo, e possibilitando, uma sensação de descarga de energia, por sair do plano excepcionalmente mental indo para o concreto. Promovendo a liberdade de expressão e a revelação do próprio ser.

A mandala reorganiza nossa psique relaxando nossa mente, trazendo equilíbrio interno.

Ao pintar mandalas, a mente entra em um estado de relaxamento no qual as experiências traumáticas, os medos e as tensões podem ser transformados; seu efeito tranqüilizante concentra as energias.
( ARCURY, 2006,p. 85)

O trabalho com a argila promove uma experiência tanto tátil quanto sinestésica, pois ao seu contato, a pessoa busca sensações, modelando e expressando vivências e conteúdos internos.

A colagem permite simbolicamente a reconstrução de algo novo, o desfazer e o refazer, resignificando de uma forma simbólica, a própria vida.

Partindo desta prática e estudo, posso concluir que o trabalho corporal e a arteterapia formam juntos um grande elo no processo de busca, de autoconhecimento e transformação pessoal, pois, como já mencionamos, à medida que deixamos vir à tona conteúdos, memórias e registros internos, tomamos consciência de que o nosso corpo faz parte de um todo, e de quem realmente somos. Modificando assim, nosso dinamismo psíquico, proporcionando uma mudança interna de paradigmas e comportamentos, gerando a transformação e reestruturação do próprio ser.


BIBLIOGRAFIA:


BRIKMAN, Lola. Tradução de Beatriz a. Cannabrava. A Linguagem do movimento corporal. São Paulo: Summus, 1989.

ARCURY, Irene Gaeta. Memória Corporal: o simbolismo do corpo na trajetória da vida. 2ed. São Paulo: Vetor, 2006.

VOLPI, José Henrique. VOLPI, Sandra Mara. Reich: a análise bioenergética. Curitiba: Centro Reichiano, 2003.


Josiane Paraboni-RS - Artigo publicado nos anais do Congresso de Psicoterapia Corporal de Curitiba/2009 - www.centroreichiano.com.br

27- Uma Gota de Sangue na Maçã

quarta-feira, 21 de abril de 2010


Foto: Maçã e Sangue / de Kau Mascarenhas






Uma Gota de Sangue na Maçã


(Kau Mascarenhas)







Mordi uma maçã ainda há pouco e vi no branco da massa uma manchinha vermelha. Senti o gosto da maçã e o gosto do sangue... huummm... isso vai dar um artigo, pensei imediatamente.
Tenho uma certa sensibilidade na gengiva, e o aparelho ortodôntico móvel que uso somente para dormir às vezes a torna mais frágil. Mesmo sem estar com ele agora, talvez esse tenha sido o porquê do pequeno sangramento.
O delicioso crock da primeira dentada na fruta trouxe um sabor suavemente ácido e bastante doce, numa combinação perfeita, que se expandiu por toda a língua. E ao olhar para ela em seguida estava lá uma marca rubra que se estendia em pequeninas tiras por menos de um centímetro. Percebi também o gosto inconfundível de sangue.
Olhei por alguns segundos para a maçã em minha mão, focado na mancha vermelha pequenina que se destacava sobre a polpa branca, enquanto mastigava lentamente.
Lembrei-me que o paladar se divide na extensão da língua, havendo papilas gustativas específicas para cada tipo de sabor. As que registram o gosto doce ficam na ponta; o sabor ácido é reconhecido pelas papilas laterais, e o salgado também. O amargo acontece lá no fundo, já perto da descida da garganta.
Somos então os responsáveis por levar o reconhecimento de doce, salgado, azedo, ou amargo para o cérebro a partir de como movimentamos o alimento em nossa boca na mastigação. Quem comer um doce, por exemplo, e não deixá-lo mais tempo em contato com a ponta da língua perderá grande porção do prazer que ele poderia proporcionar.
Isso me fez pensar imediatamente num dos pressupostos da PNL, que confere ao sujeito que vive uma experiência a responsabilidade do que essa irá lhe trazer: dissabor ou contentamento, prostração ou ânimo, angústia ou felicidade.
Tendo como base o pensamento “o mapa não é o território”, conceito desenvolvido por Alfred Korzybski em uma brilhante obra intitulada “Science and Sanity”, de 1933, a PNL pesquisa e desenvolve um conceito libertador. O fato não é o mais importante, e sim o significado que damos a ele.
Talvez esse seja o porquê de pessoas se encontrarem num mesmo acontecimento e terem reações absolutamente diferentes.
Alguns, por exemplo, que passaram por situação de desemprego se revoltam com a chefia, com a vida, com Deus. Outros encontram nesse fato a chance de tomar novo rumo e montarem seu negócio próprio. No filme “Amor sem Escalas” o personagem Ryan Bingham, interpretado por George Clooney, trabalha numa empresa que demite pessoas de outras companhias e essa é a sua função: dar-lhes a notícia de que seus serviços estão dispensados e oferecer-lhes um programa de treinamento para sua recolocação no mercado e para lidar com sua nova situação financeira. A maioria dos profissionais que ele demite se sente perdida. Obviamente não é uma das coisas mais fáceis na vida receber um comunicado como esse. Trata-se de uma séria perda para a maioria das pessoas que já se habituaram com a estabilidade de um emprego.



Ryan é alguém que passa a maior parte de sua vida viajando para demitir pessoas em diversas cidades diferentes; está sempre em aviões, aeroportos ou hotéis. Sua carreira lhe convida a ser alguém que não se prende às coisas da vida concreta, material, tampouco a relacionamentos. Isso lhe faz a pessoa ideal para sua função profissional e, ao mesmo tempo, o torna excelente num outro papel, o de conferencista que ensina pessoas a viverem com menos apego.
Dado interessante: a maior parte das dezenas de pessoas que receberam a “má notícia” na película não eram atores, e sim recém-desempregados convidados pela produção para participar do filme, e dizerem o que realmente sentiram quando foram demitidos, ou o que gostariam de ter dito. Elas perceberam o fato, inicialmente, apenas com emoções de mágoa, ressentimento e dor e assim, vitimizando-se, não se viam em condições de reagir de forma mais construtiva.
No momento em que se concentraram na perda do emprego ao invés de olhar as inúmeras possibilidades que advêm dessa nova situação, elas se colocaram em estado altamente desfavorável para acessar os recursos que podem lhes trazer o ânimo necessário para reconstruir suas vidas. Algumas delas até acharam que tinham perdido o sentido. Colocaram o sentido da vida num papel ao invés de o instalarem na missão.
Outro filme a que assisti recentemente disparava reflexões preciosas acerca de como reagir a perdas na vida afetiva. Trata-se da comédia romântica “Simplesmente Complicado” com Meryl Streep e Alec Baldwin.
Eles representam um casal, Jake e Jane, que têm três filhos. No inicio do filme já estão separados há dez anos, sendo que o estopim para o divórcio fora o aparecimento de uma mulher mais jovem na vida do esposo. Jake reconstruiu a vida com essa nova companheira, e Jane, ao contrário, permanecia sozinha todo esse tempo, sem ânimo para se envolver num outro relacionamento. Mesmo bem sucedida profissionalmente, sua vida parecia sem graça, em preto-e-branco, até que, surpreendentemente, por ocasião da formatura de um de seus filhos, ela tem um encontro sexual fortuito com o ex-marido.







O caso é levado adiante e, após uma década separados, recomeçam seu relacionamento, mas agora de forma clandestina, como amantes. Ao mesmo tempo surge o arquiteto Adam, interpretado por Steve Martin, que se derrama em cortejos e carinhos sobre Jane.
Dois homens interessantes surgindo em sua vida justo agora que ela se encontrava quase duplamente balzaquiana. Surge assim um sopro novo de energia com sabor de transgressão, algo que mesclava irresponsabilidade juvenil e resgate de sentimento.
Jane se vê numa situação bem curiosa.
Fazer o pequeno flashback virar um affair de verdade, ou seja, concretizar um caso com Jake, representaria a chance de retomar o lar desfeito, agradar os três filhos do casal, e quem sabe até curar a ferida ainda não cicatrizada, o arranhão em sua auto-estima. Agora ela estava madura, com cinqüenta e tantos anos, e mesmo assim despertava o interesse do ex-marido que, no passado, a havia deixado para poder ficar com uma mulher 25 anos mais nova. Seria, igualmente, uma maneira de vingar-se da rival.
Contudo, as coisas não seriam tão fáceis assim. Embora estivesse animada, haveria sabores não tão bons em sua maçã. Tornando-se dessa vez a “outra” do triângulo, o sabor de sangue na maçã apareceria em muitos momentos, como na vez em que preparou um lindo jantar romântico e Jake não pôde comparecer pois a atual companheira estava com ele em casa, colada, e com sua saída ela poderia desconfiar.
De qualquer maneira, a diretora Nancy Meyers nos traz um filme leve e divertido que faz uma excelente ressignificação da vida amorosa na meia idade. Mostra uma mulher com mais de cinqüenta anos despertando paixões, e sendo disputada por dois homens, sentindo-se desejada, recuperando a feminilidade e abrindo-se a ser feliz sexualmente, com total direito de se ver no início de uma linda estrada ao invés de considerar-se no ocaso da sua afetividade.
Em qualquer situação é a nossa forma de perceber as coisas que vai dar o sabor daquilo que nos acontece. Depende de para onde dirigirmos a língua.
Talvez seja esse o porquê de algumas pessoas entrarem em desespero com algumas situações. Uma vez me disseram para fazer uma experiência curiosa: ao beber coca-cola, deveria deixar o líquido na boca em contato com a ponta da língua por alguns segundos. Acreditem: arde à beça!
Só que eu gosto muito de beber Coca-cola. Portanto, escolho colocá-la em minha boca mas bebo da forma tradicional.
Não é a coisa em si, mas como você absorve a coisa. O “mapa não é o território”, o cardápio não é a refeição, o retrato não é a pessoa. A depender da maneira como nós observamos e da forma como representamos uma realidade internamente ela será mais ou menos feliz.
Há os que são demitidos e mergulham em depressão. Há os que se separam e sofrem por anos, impedindo que novas realidades mais felizes cheguem a suas vidas. Há os que envelhecem e perdem a alegria. Outros que vivem limitações físicas por causa de doenças ou acidentes, e se sentem injustiçados, vítimas.
Já estive, entretanto, com pessoas que se ergueram com mais facilidade após a demissão levando sua percepção para o sabor da liberdade que o fato lhes trazia. Também conheci aqueles que se sentiram muito mais vivos após a separação. Já fui contagiado com a alegria que algumas pessoas com mais de oitenta anos me transmitiram. Igualmente já tive a felicidade de perceber que pessoas com sérios problemas de saúde, ou portadoras de necessidades especiais vivem com grande alegria. Para elas não há porque lamentar o que não possuem e sim felicitar-se com o que têm.
Alguns recém-desempregados tiraram férias, enfim. Aproveitaram a demissão para saborear a convivência com pessoas queridas. Viajaram por algumas semanas.
Depois desse “momento de planar” (vide meu artigo 26 aqui no blog) elas se dedicaram a desengavetar velhos projetos, desenvolveram empreendimentos pessoais - sonhos quase mofados por terem sido há muito tempo guardados - abriram seu próprio negócio, espalharam seus currículos para dezenas de empresas ou fizeram cursos para expandir seu potencial objetivando o ganho de novas competências.
Separados ganharam vida nova, pele boa e sorriso mais freqüente, ao invés de uma doença por viverem se engalfinhando com seus pares em relações que já tinham prazo de validade vencido. Ressignificaram o divórcio, percebendo-o como libertação, pois descobriram que não era bom trocar “um feliz” por “dois infelizes”. Rapidamente já estavam em condições de abrir-se a uma experiência amorosa, ou ficaram muito bem, solteiros por algum tempo.
Idosos que sentiram as transformações típicas da chegada da idade mantiveram a tranqüilidade, o amor pela vida e o entusiasmo na busca de seus sonhos. Com dignidade lidaram com as adversidades e seguiram em frente desfrutando cada dia, com a sabedoria que as experiências acumuladas lhes haviam trazido.
Doentes ressignificaram suas dificuldades, vendo nelas alguns caminhos de transformação.
Pessoas que perderam entes queridos ressignificaram a morte como uma transição para a dimensão verdadeira, pois todos nós somos maiores que nossa realidade física e transcendemos a existência material.
E assim, na maçã de bem-estar mordida em que possamos encontrar uma manchinha de sangue, também estará o sabor genuíno da vida pedindo para ser aproveitado. E isso depende da forma como percebamos e da maneira como representemos interiormente cada fato. Depende da forma como mastigarmos cada pedacinho.
Anthony Robbins, famoso especialista em PNL, consultor, conferencista e escritor de sucesso, em seu livro “Desperte o Gigante Interior” diz que podemos ter uma “linguagem transformacional”.







Nossas palavras e pensamentos têm o poder de fazer com que impeçamos o bom aproveitamento das nossas capacidades ou, por outro lado, com que acessemos recursos e possamos melhor lidar com adversidades.
Que tal avaliarmos as reações e estados causados pelo uso das seguintes frases:
1-) “- Sou um(a) pobre desempregado(a).”
2-) “- Sou um(a) vitorioso(a) e estou em processo de recolocação no mercado.”
3-) “- Sou um(a) infeliz pois fui abandonado(a) pela pessoa que amo.”
4-) “- Sou um ser humano livre e cheio de amor para oferecer a alguém especial.”



Parece-me que fica evidente uma relação direta de causa e efeito entre o significado que damos ao fato e as palavras que expressam esse fato. Dizemos porque sentimos.
O contrário também ocorre: sentimos porque dizemos. Se nos habituamos a dizer frases do tipo 1 ou do tipo 3 criamos baixa motivação e carência de recursos internos. Por outro lado, as frases 2 e 4 são mais capazes de eliciar estados favoráveis ao bem-estar e à felicidade.



Vivo uma experiência => Estados são eliciados, reações emocionais surgem => Dou a ela um significado => Falo sobre o que aconteceu.



Curiosamente, não se tratam aqui de elementos encadeados numa ordem obrigatória. É muito difícil dizer que um processo espera o outro acontecer para surgir em seguida. É bastante natural que as emoções surjam praticamente de forma simultânea à formulação mental do significado.
Entretanto, é possível que uma cadeia também comece com a fala. Ou seja, de tanto falarmos de tal maneira acerca de um evento, uma experiência, criamos estados, positivos ou negativos.
Ressignificar experiências difíceis é entendê-las de formas positivas, concentrando nossa energia na direção de extrair delas o aprendizado que trazem e as possibilidades de crescimento que podem ali se encontrar. É uma demonstração de inteligência emocional. Falar sobre elas de uma forma nova, dando destaque ao seu aspecto positivo é começar a mudar a cadeia:



Falo sobre uma experiência de forma nova, ressignificada => Elicio estados úteis, emoções construtivas => Reforço o seu significado positivo => Se vier a passar por experiências semelhantes no futuro, estarei com mais recursos e poderei fazer escolhas mais felizes.



As palavras não são apenas a conseqüência do que vivemos por dentro. São a causa igualmente.
De tanto falarmos determinadas coisas, as palavras tendem a evocar emoções internamente, e isso acaba atraindo essas realidades por uma simples questão de sintonia. O semelhante atrai o semelhante, vibram parecido.
Há um interessante experimento que se faz em laboratórios de física, que atesta esse pensamento na prática. São colocados presos a uma superfície de madeira, afastados um do outro, quatro cilindros de metal em posição vertical, sendo que dois deles são feitos de um mesmo metal, e os demais de outro. Quando se dá uma pequena martelada num dos cilindros fazendo-o vibrar, isso também faz vibrar em conseqüência somente aquele que é semelhante, pois tem o mesmo tamanho e é feito do mesmo material. Os outros dois permanecem inertes.
Se passarmos por uma situação adversa, é absolutamente natural que surja a dor. Entretanto, se demorarmos muito a fazermos uma ressignificação, se permanecermos tempo demais atolados numa postura de vítima, é provável que abramos espaço para atrair mais dor e sofrimento. Cabe apreender rapidamente o que cada situação nos traz e sair, logo em seguida, desse ponto, levando nossa atenção para uma direção mais positiva.
Quem agüenta ficar ao lado de pessoas que só têm lamúrias e queixas em suas conversas? Ao contrário, quem consegue facilmente sair de perto de pessoas que têm palavras alegres e construtivas a oferecer?
Ainda ontem constatei na prática alguns desses pensamentos quando estive na casa do Beto. Ele é um grande amigo que está com muitos movimentos paralisados há seis anos em decorrência de um tiro no pescoço.
Fui visitá-lo ontem à noite - era seu aniversário - e durante algumas horas desenvolvemos uma agradabilíssima conversa com mais dois amigos, a Ângela e o Rafael, a respeito de assuntos diversos como cinema, vinhos, programas de TV e livros, e alguns mais profundos como amizade, amor e família, sempre focando o lado positivo de todos esses temas.
Mas não se tratava de um encontro onde queríamos filosofar ou bater um papo-cabeça. Demos muita risada lembrando episódios curiosos de nossas vidas. Nosso bom humor estava em alta e tudo era motivo para brincadeiras e espetadas espirituosas, irônicas e sagazes uns nos outros, coisas que só fazemos quando temos certeza do carinho que nos liga. O Beto, por exemplo, chateou a Ângela um tempão quando a viu pegar um cálice e colocar cubos de gelo para depois se servir de vinho. Para ele, que é um conhecedor e apreciador dessa bebida, aquilo era uma verdadeira heresia. Pobre Ângela. Teve que suportar muitas piadas por causa disso. E rimos muito com todas elas. Rafael, com seu jeitinho mineiro, nos presenteou com curiosos e emocionantes casos de seus familiares em visitas a Chico Xavier, que conheceram pessoalmente. Conversamos e comemos bolo de chocolate. Nos divertimos e aprendemos uns com os outros. Vibramos com o nosso reencontro, repleto de carinho e troca de idéias.

Todos tínhamos em nossas maçãs algumas manchinhas de sangue, nossas mazelas, nossas dificuldades, mas aquele momento era de festa. Cabia-nos degustar o contentamento de estar junto a pessoas queridas e comemorar uma data especial.
O Beto havia me falado alguns dias antes por telefone que intencionava colocar na entrada do seu quarto uma placa com a frase:
“Ao cruzar essa porta traga apenas palavras e pensamentos alegres”
Por essas e outras nossa amizade tem sido uma bênção, e vem me proporcionando um fantástico aprendizado. Apesar das dificuldades pelas quais passa desde o momento em que quase perdeu a vida, ele é uma pessoa cheia de força, inteligência e coragem. De forma parecida estar mais perto da minha mãe me faz receber lições diárias de vida, já que ela também traz no corpo, há cinco anos, seqüelas importantes; em seu caso por conta de um AVC isquêmico.
Tanto um como o outro investe energia em seus trabalhos de fisioterapia; eles buscam minimizar as conseqüências das limitações físicas, e mantêm-se estimulando suas funções cerebrais com exercícios diversos que reforçam e criam sinapses, buscando igualmente atividades que lhes tragam prazer. Portanto, estão vivendo ao invés de apenas estarem sobrevivendo.
Nem tudo foi fácil para ambos ao longo do tempo desde que suas realidades mudaram. Os altos e baixos emocionais aconteceram. Isso é humano e naturalmente compreensível. Entretanto, não importa quantas vezes caiamos e sim quantas nos reerguemos.
Eles me ensinam muito, todos os dias, sobre o poder da ressignificação.
Bem, este artigo começou quando mordi a maçã de forma rápida, e senti a delícia que era sua polpa ácida e doce. Isso me trouxe prazer mas me tirou uma gota de sangue da gengiva.
Como já disse antes, pensei que a situação daria um texto sobre ressignificação.
Agora também penso em marcar uma nova consulta com Dra. Maria Rita, minha dentista.
Depois desses pensamentos, e antes de terminar esse artigo, decidi comer a maçã de forma diferente. Descasquei a fruta e a cortei em pequenos pedaços para mastigar devagar e com cuidado.
Um contratempo também pode servir para fazer as mudanças acontecerem, impulsionar novas atitudes, representando assim um convite da vida para nosso crescimento. Mastiguei e deixei que minha língua se movimentasse com maior tranqüilidade, fazendo com que a parte doce se concentrasse mais tempo na ponta, onde estão as papilas apropriadas para registrar esse sabor.
A vida não precisa parar quando uma adversidade acontece. Não importa o porquê, e sim o para quê e o como. Para quê isso ocorreu? Qual a finalidade disso em minha vida? Ou... como sair dessa realidade e chegar a um ponto mais feliz?
Enquanto perde-se tempo buscando os “porquês”, atitude que só nos faz chegar a explicações estéreis em muitos momentos, concentrar-se no “para quê” e no “como” pode promover um dinamismo muito mais profícuo.
Portanto, se surgir sangue em sua maçã após uma mordida, delicie-se com ela de forma diferente. Aprenda algo. Mude algo.
E escreva um texto.
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