Nosso corpo revela nossa personalidade, guarda memórias e expressa nossas vontades e desejos. É a forma de expressão mais pura e verdadeira daquilo que trazemos, pensamos e sentimos no decorrer de nossas vidas, como a tela de um filme onde ficam gravadas nossas experiências, vivências, nossa história.
Segundo Reich, formamos couraças musculares a partir das experiências e traumas que vamos vivendo, enrijecendo nosso corpo e gerando bloqueios, impedindo que a energia flua naturalmente, diminuindo em consequência disso, nossa energia vital.
A diminuição da oxigenação nos tecidos por sua vez, leva a estase energética, mantenedora da tensão que mais tarde torna-se inconsciente e perpetua a neurose. Estase – termo utilizado por Reich e adotado por seus seguidores – implica numa redução da circulação sanguínea que altera a oxigenação nos tecidos, enrijecendo-os e gerando bloqueios. É o processo inicial do que Reich chamou de encouraçamento.(VOLPI, 2003,p.15)
Contudo, na medida em que nos vamos trabalhando, nos conhecendo melhor e tomando uma maior consciência corporal de nós mesmos, eliminamos as couraças e deixamos o corpo seguir seu fluxo de energia livremente. Este processo faz parte do autoconhecimento e desenvolvimento pessoal, onde a pessoa busca a si mesma, valorizando-se e cuidando do próprio corpo, reintegrando o seu próprio ser à totalidade: corpo, mente, energia e espírito. Segundo Lola Brikman,
O movimento constitui uma unidade orgânica de elementos materiais e espirituais que se integram numa totalidade.
(...) sua prática leva à manifestação da personalidade, a um conhecimento e uma consciência mais completos, para fora e para dentro de si mesmo e, enfim, a uma comunicação fluida, capaz de promover uma profunda transformação da atitude básica da personalidade.( BRICKMAN, 1989,p.16)
Desta forma, para que aconteça este processo de busca, de autoconhecimento e de desenvolvimento, é que o trabalho de arteteterapia vem a contribuir aliado à diversas técnicas corporais, normalmente utilizadas, durante o trabalho arteterapêutico, para que a pessoa saia do processo extremamente racional em que está, logo que chega para o atendimento, e passe para um estado maior de relaxamento e consciência corporal, deixando vir à tona no momento da expressão plástica expressiva: sentimentos, sensações e desejos que estão no inconsciente, como um verdadeiro espelho da alma, onde é refletido o conteúdo interno que está mais latente no íntimo de cada pessoa. Jung já dizia que através da expressão destes registros e conteúdos, é que podemos nos ver e nos perceber de forma diferente, retirando nossas máscaras e nos conscientizando de quem realmente somos.
Algumas das técnicas corporais que podem ser utilizadas junto ao trabalho de arteterapia são: relaxamento, yoga, biodança, expressão corporal e as brincadeiras infantis. Cada uma dessas técnicas exerce uma determinada função que seja melhor para cada caso ou situação.
O relaxamento aliado à respiração provoca um enorme bem estar, proporcionando paz e equilíbrio interno, trabalhando questões emocionais e psíquicas de uma forma tranquila e saudável.
A prática de posturas no Yoga, chamadas asanas, traz um equilíbrio físico e mental, proporcionando uma sensação de paz e leveza no corpo. De acordo com Irene Arcury, psicóloga e arteterapeuta:
Essa imobilidade corporal provoca um silêncio mental ampliando a consciência de si mesmo proporcionando um efeito extremamente calmante. (ARCURY, 2006, p.88)
A biodança e a expressão corporal promovem um contato maior consigo mesmo, expressando através do corpo: vontades, desejos, idéias e pensamentos.
Ao dançarmos, recriamos o mundo abrimos novas possibilidades, sentimos prazer e gratidão por ter nosso veículo. (ARCURY, 2006, p.90)
As brincadeiras infantis resgatam nossa criança interior resgatando a alegria de viver, nos levando de volta ao mundo da imaginação e da criatividade.
Por meio das brincadeiras, reeditamos nossa vida de forma
prazerosa. (ARCURY, 2006, p. 91)
Assim como as técnicas corporais exercem determinada função durante o processo de busca e autoconhecimento, na arteterapia, as técnicas expressivas plásticas como: o desenho, a pintura, a mandala, a argila e a colagem também desenvolvem determinado papel.
O desenho e a pintura, através dos gestos e das cores possibilitam a reestruturação do mundo interno, pois trabalha o concreto, a ação e a percepção. A pessoa expressa o que está sentindo, revelando formas, desejos e conteúdos do inconsciente, revelando-se a si mesmo, e possibilitando, uma sensação de descarga de energia, por sair do plano excepcionalmente mental indo para o concreto. Promovendo a liberdade de expressão e a revelação do próprio ser.
A mandala reorganiza nossa psique relaxando nossa mente, trazendo equilíbrio interno.
Ao pintar mandalas, a mente entra em um estado de relaxamento no qual as experiências traumáticas, os medos e as tensões podem ser transformados; seu efeito tranqüilizante concentra as energias.
( ARCURY, 2006,p. 85)
O trabalho com a argila promove uma experiência tanto tátil quanto sinestésica, pois ao seu contato, a pessoa busca sensações, modelando e expressando vivências e conteúdos internos.
A colagem permite simbolicamente a reconstrução de algo novo, o desfazer e o refazer, resignificando de uma forma simbólica, a própria vida.
Partindo desta prática e estudo, posso concluir que o trabalho corporal e a arteterapia formam juntos um grande elo no processo de busca, de autoconhecimento e transformação pessoal, pois, como já mencionamos, à medida que deixamos vir à tona conteúdos, memórias e registros internos, tomamos consciência de que o nosso corpo faz parte de um todo, e de quem realmente somos. Modificando assim, nosso dinamismo psíquico, proporcionando uma mudança interna de paradigmas e comportamentos, gerando a transformação e reestruturação do próprio ser.
BIBLIOGRAFIA:
BRIKMAN, Lola. Tradução de Beatriz a. Cannabrava. A Linguagem do movimento corporal. São Paulo: Summus, 1989.
ARCURY, Irene Gaeta. Memória Corporal: o simbolismo do corpo na trajetória da vida. 2ed. São Paulo: Vetor, 2006.
VOLPI, José Henrique. VOLPI, Sandra Mara. Reich: a análise bioenergética. Curitiba: Centro Reichiano, 2003.
Josiane Paraboni-RS - Artigo publicado nos anais do Congresso de Psicoterapia Corporal de Curitiba/2009 - www.centroreichiano.com.br
A Importância do Trabalho Coproral no Processo Arteterapêutico
domingo, 25 de abril de 2010
27- Uma Gota de Sangue na Maçã
quarta-feira, 21 de abril de 2010

Foto: Maçã e Sangue / de Kau Mascarenhas
Uma Gota de Sangue na Maçã
(Kau Mascarenhas)
Mordi uma maçã ainda há pouco e vi no branco da massa uma manchinha vermelha. Senti o gosto da maçã e o gosto do sangue... huummm... isso vai dar um artigo, pensei imediatamente.
Tenho uma certa sensibilidade na gengiva, e o aparelho ortodôntico móvel que uso somente para dormir às vezes a torna mais frágil. Mesmo sem estar com ele agora, talvez esse tenha sido o porquê do pequeno sangramento.
O delicioso crock da primeira dentada na fruta trouxe um sabor suavemente ácido e bastante doce, numa combinação perfeita, que se expandiu por toda a língua. E ao olhar para ela em seguida estava lá uma marca rubra que se estendia em pequeninas tiras por menos de um centímetro. Percebi também o gosto inconfundível de sangue.
Olhei por alguns segundos para a maçã em minha mão, focado na mancha vermelha pequenina que se destacava sobre a polpa branca, enquanto mastigava lentamente.
Lembrei-me que o paladar se divide na extensão da língua, havendo papilas gustativas específicas para cada tipo de sabor. As que registram o gosto doce ficam na ponta; o sabor ácido é reconhecido pelas papilas laterais, e o salgado também. O amargo acontece lá no fundo, já perto da descida da garganta.
Somos então os responsáveis por levar o reconhecimento de doce, salgado, azedo, ou amargo para o cérebro a partir de como movimentamos o alimento em nossa boca na mastigação. Quem comer um doce, por exemplo, e não deixá-lo mais tempo em contato com a ponta da língua perderá grande porção do prazer que ele poderia proporcionar.
Isso me fez pensar imediatamente num dos pressupostos da PNL, que confere ao sujeito que vive uma experiência a responsabilidade do que essa irá lhe trazer: dissabor ou contentamento, prostração ou ânimo, angústia ou felicidade.
Tendo como base o pensamento “o mapa não é o território”, conceito desenvolvido por Alfred Korzybski em uma brilhante obra intitulada “Science and Sanity”, de 1933, a PNL pesquisa e desenvolve um conceito libertador. O fato não é o mais importante, e sim o significado que damos a ele.
Talvez esse seja o porquê de pessoas se encontrarem num mesmo acontecimento e terem reações absolutamente diferentes.
Alguns, por exemplo, que passaram por situação de desemprego se revoltam com a chefia, com a vida, com Deus. Outros encontram nesse fato a chance de tomar novo rumo e montarem seu negócio próprio. No filme “Amor sem Escalas” o personagem Ryan Bingham, interpretado por George Clooney, trabalha numa empresa que demite pessoas de outras companhias e essa é a sua função: dar-lhes a notícia de que seus serviços estão dispensados e oferecer-lhes um programa de treinamento para sua recolocação no mercado e para lidar com sua nova situação financeira. A maioria dos profissionais que ele demite se sente perdida. Obviamente não é uma das coisas mais fáceis na vida receber um comunicado como esse. Trata-se de uma séria perda para a maioria das pessoas que já se habituaram com a estabilidade de um emprego.

Ryan é alguém que passa a maior parte de sua vida viajando para demitir pessoas em diversas cidades diferentes; está sempre em aviões, aeroportos ou hotéis. Sua carreira lhe convida a ser alguém que não se prende às coisas da vida concreta, material, tampouco a relacionamentos. Isso lhe faz a pessoa ideal para sua função profissional e, ao mesmo tempo, o torna excelente num outro papel, o de conferencista que ensina pessoas a viverem com menos apego.
Dado interessante: a maior parte das dezenas de pessoas que receberam a “má notícia” na película não eram atores, e sim recém-desempregados convidados pela produção para participar do filme, e dizerem o que realmente sentiram quando foram demitidos, ou o que gostariam de ter dito. Elas perceberam o fato, inicialmente, apenas com emoções de mágoa, ressentimento e dor e assim, vitimizando-se, não se viam em condições de reagir de forma mais construtiva.
No momento em que se concentraram na perda do emprego ao invés de olhar as inúmeras possibilidades que advêm dessa nova situação, elas se colocaram em estado altamente desfavorável para acessar os recursos que podem lhes trazer o ânimo necessário para reconstruir suas vidas. Algumas delas até acharam que tinham perdido o sentido. Colocaram o sentido da vida num papel ao invés de o instalarem na missão.
Outro filme a que assisti recentemente disparava reflexões preciosas acerca de como reagir a perdas na vida afetiva. Trata-se da comédia romântica “Simplesmente Complicado” com Meryl Streep e Alec Baldwin.
Eles representam um casal, Jake e Jane, que têm três filhos. No inicio do filme já estão separados há dez anos, sendo que o estopim para o divórcio fora o aparecimento de uma mulher mais jovem na vida do esposo. Jake reconstruiu a vida com essa nova companheira, e Jane, ao contrário, permanecia sozinha todo esse tempo, sem ânimo para se envolver num outro relacionamento. Mesmo bem sucedida profissionalmente, sua vida parecia sem graça, em preto-e-branco, até que, surpreendentemente, por ocasião da formatura de um de seus filhos, ela tem um encontro sexual fortuito com o ex-marido.

O caso é levado adiante e, após uma década separados, recomeçam seu relacionamento, mas agora de forma clandestina, como amantes. Ao mesmo tempo surge o arquiteto Adam, interpretado por Steve Martin, que se derrama em cortejos e carinhos sobre Jane.
Dois homens interessantes surgindo em sua vida justo agora que ela se encontrava quase duplamente balzaquiana. Surge assim um sopro novo de energia com sabor de transgressão, algo que mesclava irresponsabilidade juvenil e resgate de sentimento.
Jane se vê numa situação bem curiosa.
Fazer o pequeno flashback virar um affair de verdade, ou seja, concretizar um caso com Jake, representaria a chance de retomar o lar desfeito, agradar os três filhos do casal, e quem sabe até curar a ferida ainda não cicatrizada, o arranhão em sua auto-estima. Agora ela estava madura, com cinqüenta e tantos anos, e mesmo assim despertava o interesse do ex-marido que, no passado, a havia deixado para poder ficar com uma mulher 25 anos mais nova. Seria, igualmente, uma maneira de vingar-se da rival.
Contudo, as coisas não seriam tão fáceis assim. Embora estivesse animada, haveria sabores não tão bons em sua maçã. Tornando-se dessa vez a “outra” do triângulo, o sabor de sangue na maçã apareceria em muitos momentos, como na vez em que preparou um lindo jantar romântico e Jake não pôde comparecer pois a atual companheira estava com ele em casa, colada, e com sua saída ela poderia desconfiar.
De qualquer maneira, a diretora Nancy Meyers nos traz um filme leve e divertido que faz uma excelente ressignificação da vida amorosa na meia idade. Mostra uma mulher com mais de cinqüenta anos despertando paixões, e sendo disputada por dois homens, sentindo-se desejada, recuperando a feminilidade e abrindo-se a ser feliz sexualmente, com total direito de se ver no início de uma linda estrada ao invés de considerar-se no ocaso da sua afetividade.
Em qualquer situação é a nossa forma de perceber as coisas que vai dar o sabor daquilo que nos acontece. Depende de para onde dirigirmos a língua.
Talvez seja esse o porquê de algumas pessoas entrarem em desespero com algumas situações. Uma vez me disseram para fazer uma experiência curiosa: ao beber coca-cola, deveria deixar o líquido na boca em contato com a ponta da língua por alguns segundos. Acreditem: arde à beça!
Só que eu gosto muito de beber Coca-cola. Portanto, escolho colocá-la em minha boca mas bebo da forma tradicional.
Não é a coisa em si, mas como você absorve a coisa. O “mapa não é o território”, o cardápio não é a refeição, o retrato não é a pessoa. A depender da maneira como nós observamos e da forma como representamos uma realidade internamente ela será mais ou menos feliz.
Há os que são demitidos e mergulham em depressão. Há os que se separam e sofrem por anos, impedindo que novas realidades mais felizes cheguem a suas vidas. Há os que envelhecem e perdem a alegria. Outros que vivem limitações físicas por causa de doenças ou acidentes, e se sentem injustiçados, vítimas.
Já estive, entretanto, com pessoas que se ergueram com mais facilidade após a demissão levando sua percepção para o sabor da liberdade que o fato lhes trazia. Também conheci aqueles que se sentiram muito mais vivos após a separação. Já fui contagiado com a alegria que algumas pessoas com mais de oitenta anos me transmitiram. Igualmente já tive a felicidade de perceber que pessoas com sérios problemas de saúde, ou portadoras de necessidades especiais vivem com grande alegria. Para elas não há porque lamentar o que não possuem e sim felicitar-se com o que têm.
Alguns recém-desempregados tiraram férias, enfim. Aproveitaram a demissão para saborear a convivência com pessoas queridas. Viajaram por algumas semanas.
Depois desse “momento de planar” (vide meu artigo 26 aqui no blog) elas se dedicaram a desengavetar velhos projetos, desenvolveram empreendimentos pessoais - sonhos quase mofados por terem sido há muito tempo guardados - abriram seu próprio negócio, espalharam seus currículos para dezenas de empresas ou fizeram cursos para expandir seu potencial objetivando o ganho de novas competências.
Separados ganharam vida nova, pele boa e sorriso mais freqüente, ao invés de uma doença por viverem se engalfinhando com seus pares em relações que já tinham prazo de validade vencido. Ressignificaram o divórcio, percebendo-o como libertação, pois descobriram que não era bom trocar “um feliz” por “dois infelizes”. Rapidamente já estavam em condições de abrir-se a uma experiência amorosa, ou ficaram muito bem, solteiros por algum tempo.
Idosos que sentiram as transformações típicas da chegada da idade mantiveram a tranqüilidade, o amor pela vida e o entusiasmo na busca de seus sonhos. Com dignidade lidaram com as adversidades e seguiram em frente desfrutando cada dia, com a sabedoria que as experiências acumuladas lhes haviam trazido.
Doentes ressignificaram suas dificuldades, vendo nelas alguns caminhos de transformação.
Pessoas que perderam entes queridos ressignificaram a morte como uma transição para a dimensão verdadeira, pois todos nós somos maiores que nossa realidade física e transcendemos a existência material.
E assim, na maçã de bem-estar mordida em que possamos encontrar uma manchinha de sangue, também estará o sabor genuíno da vida pedindo para ser aproveitado. E isso depende da forma como percebamos e da maneira como representemos interiormente cada fato. Depende da forma como mastigarmos cada pedacinho.
Anthony Robbins, famoso especialista em PNL, consultor, conferencista e escritor de sucesso, em seu livro “Desperte o Gigante Interior” diz que podemos ter uma “linguagem transformacional”.
Dois homens interessantes surgindo em sua vida justo agora que ela se encontrava quase duplamente balzaquiana. Surge assim um sopro novo de energia com sabor de transgressão, algo que mesclava irresponsabilidade juvenil e resgate de sentimento.
Jane se vê numa situação bem curiosa.
Fazer o pequeno flashback virar um affair de verdade, ou seja, concretizar um caso com Jake, representaria a chance de retomar o lar desfeito, agradar os três filhos do casal, e quem sabe até curar a ferida ainda não cicatrizada, o arranhão em sua auto-estima. Agora ela estava madura, com cinqüenta e tantos anos, e mesmo assim despertava o interesse do ex-marido que, no passado, a havia deixado para poder ficar com uma mulher 25 anos mais nova. Seria, igualmente, uma maneira de vingar-se da rival.
Contudo, as coisas não seriam tão fáceis assim. Embora estivesse animada, haveria sabores não tão bons em sua maçã. Tornando-se dessa vez a “outra” do triângulo, o sabor de sangue na maçã apareceria em muitos momentos, como na vez em que preparou um lindo jantar romântico e Jake não pôde comparecer pois a atual companheira estava com ele em casa, colada, e com sua saída ela poderia desconfiar.
De qualquer maneira, a diretora Nancy Meyers nos traz um filme leve e divertido que faz uma excelente ressignificação da vida amorosa na meia idade. Mostra uma mulher com mais de cinqüenta anos despertando paixões, e sendo disputada por dois homens, sentindo-se desejada, recuperando a feminilidade e abrindo-se a ser feliz sexualmente, com total direito de se ver no início de uma linda estrada ao invés de considerar-se no ocaso da sua afetividade.
Em qualquer situação é a nossa forma de perceber as coisas que vai dar o sabor daquilo que nos acontece. Depende de para onde dirigirmos a língua.
Talvez seja esse o porquê de algumas pessoas entrarem em desespero com algumas situações. Uma vez me disseram para fazer uma experiência curiosa: ao beber coca-cola, deveria deixar o líquido na boca em contato com a ponta da língua por alguns segundos. Acreditem: arde à beça!
Só que eu gosto muito de beber Coca-cola. Portanto, escolho colocá-la em minha boca mas bebo da forma tradicional.
Não é a coisa em si, mas como você absorve a coisa. O “mapa não é o território”, o cardápio não é a refeição, o retrato não é a pessoa. A depender da maneira como nós observamos e da forma como representamos uma realidade internamente ela será mais ou menos feliz.
Há os que são demitidos e mergulham em depressão. Há os que se separam e sofrem por anos, impedindo que novas realidades mais felizes cheguem a suas vidas. Há os que envelhecem e perdem a alegria. Outros que vivem limitações físicas por causa de doenças ou acidentes, e se sentem injustiçados, vítimas.
Já estive, entretanto, com pessoas que se ergueram com mais facilidade após a demissão levando sua percepção para o sabor da liberdade que o fato lhes trazia. Também conheci aqueles que se sentiram muito mais vivos após a separação. Já fui contagiado com a alegria que algumas pessoas com mais de oitenta anos me transmitiram. Igualmente já tive a felicidade de perceber que pessoas com sérios problemas de saúde, ou portadoras de necessidades especiais vivem com grande alegria. Para elas não há porque lamentar o que não possuem e sim felicitar-se com o que têm.
Alguns recém-desempregados tiraram férias, enfim. Aproveitaram a demissão para saborear a convivência com pessoas queridas. Viajaram por algumas semanas.
Depois desse “momento de planar” (vide meu artigo 26 aqui no blog) elas se dedicaram a desengavetar velhos projetos, desenvolveram empreendimentos pessoais - sonhos quase mofados por terem sido há muito tempo guardados - abriram seu próprio negócio, espalharam seus currículos para dezenas de empresas ou fizeram cursos para expandir seu potencial objetivando o ganho de novas competências.
Separados ganharam vida nova, pele boa e sorriso mais freqüente, ao invés de uma doença por viverem se engalfinhando com seus pares em relações que já tinham prazo de validade vencido. Ressignificaram o divórcio, percebendo-o como libertação, pois descobriram que não era bom trocar “um feliz” por “dois infelizes”. Rapidamente já estavam em condições de abrir-se a uma experiência amorosa, ou ficaram muito bem, solteiros por algum tempo.
Idosos que sentiram as transformações típicas da chegada da idade mantiveram a tranqüilidade, o amor pela vida e o entusiasmo na busca de seus sonhos. Com dignidade lidaram com as adversidades e seguiram em frente desfrutando cada dia, com a sabedoria que as experiências acumuladas lhes haviam trazido.
Doentes ressignificaram suas dificuldades, vendo nelas alguns caminhos de transformação.
Pessoas que perderam entes queridos ressignificaram a morte como uma transição para a dimensão verdadeira, pois todos nós somos maiores que nossa realidade física e transcendemos a existência material.
E assim, na maçã de bem-estar mordida em que possamos encontrar uma manchinha de sangue, também estará o sabor genuíno da vida pedindo para ser aproveitado. E isso depende da forma como percebamos e da maneira como representemos interiormente cada fato. Depende da forma como mastigarmos cada pedacinho.
Anthony Robbins, famoso especialista em PNL, consultor, conferencista e escritor de sucesso, em seu livro “Desperte o Gigante Interior” diz que podemos ter uma “linguagem transformacional”.

Nossas palavras e pensamentos têm o poder de fazer com que impeçamos o bom aproveitamento das nossas capacidades ou, por outro lado, com que acessemos recursos e possamos melhor lidar com adversidades.
Que tal avaliarmos as reações e estados causados pelo uso das seguintes frases:
1-) “- Sou um(a) pobre desempregado(a).”
2-) “- Sou um(a) vitorioso(a) e estou em processo de recolocação no mercado.”
3-) “- Sou um(a) infeliz pois fui abandonado(a) pela pessoa que amo.”
4-) “- Sou um ser humano livre e cheio de amor para oferecer a alguém especial.”
Que tal avaliarmos as reações e estados causados pelo uso das seguintes frases:
1-) “- Sou um(a) pobre desempregado(a).”
2-) “- Sou um(a) vitorioso(a) e estou em processo de recolocação no mercado.”
3-) “- Sou um(a) infeliz pois fui abandonado(a) pela pessoa que amo.”
4-) “- Sou um ser humano livre e cheio de amor para oferecer a alguém especial.”
Parece-me que fica evidente uma relação direta de causa e efeito entre o significado que damos ao fato e as palavras que expressam esse fato. Dizemos porque sentimos.
O contrário também ocorre: sentimos porque dizemos. Se nos habituamos a dizer frases do tipo 1 ou do tipo 3 criamos baixa motivação e carência de recursos internos. Por outro lado, as frases 2 e 4 são mais capazes de eliciar estados favoráveis ao bem-estar e à felicidade.
Vivo uma experiência => Estados são eliciados, reações emocionais surgem => Dou a ela um significado => Falo sobre o que aconteceu.
Curiosamente, não se tratam aqui de elementos encadeados numa ordem obrigatória. É muito difícil dizer que um processo espera o outro acontecer para surgir em seguida. É bastante natural que as emoções surjam praticamente de forma simultânea à formulação mental do significado.
Entretanto, é possível que uma cadeia também comece com a fala. Ou seja, de tanto falarmos de tal maneira acerca de um evento, uma experiência, criamos estados, positivos ou negativos.
Ressignificar experiências difíceis é entendê-las de formas positivas, concentrando nossa energia na direção de extrair delas o aprendizado que trazem e as possibilidades de crescimento que podem ali se encontrar. É uma demonstração de inteligência emocional. Falar sobre elas de uma forma nova, dando destaque ao seu aspecto positivo é começar a mudar a cadeia:
Falo sobre uma experiência de forma nova, ressignificada => Elicio estados úteis, emoções construtivas => Reforço o seu significado positivo => Se vier a passar por experiências semelhantes no futuro, estarei com mais recursos e poderei fazer escolhas mais felizes.
As palavras não são apenas a conseqüência do que vivemos por dentro. São a causa igualmente.
De tanto falarmos determinadas coisas, as palavras tendem a evocar emoções internamente, e isso acaba atraindo essas realidades por uma simples questão de sintonia. O semelhante atrai o semelhante, vibram parecido.
Há um interessante experimento que se faz em laboratórios de física, que atesta esse pensamento na prática. São colocados presos a uma superfície de madeira, afastados um do outro, quatro cilindros de metal em posição vertical, sendo que dois deles são feitos de um mesmo metal, e os demais de outro. Quando se dá uma pequena martelada num dos cilindros fazendo-o vibrar, isso também faz vibrar em conseqüência somente aquele que é semelhante, pois tem o mesmo tamanho e é feito do mesmo material. Os outros dois permanecem inertes.
Se passarmos por uma situação adversa, é absolutamente natural que surja a dor. Entretanto, se demorarmos muito a fazermos uma ressignificação, se permanecermos tempo demais atolados numa postura de vítima, é provável que abramos espaço para atrair mais dor e sofrimento. Cabe apreender rapidamente o que cada situação nos traz e sair, logo em seguida, desse ponto, levando nossa atenção para uma direção mais positiva.
Quem agüenta ficar ao lado de pessoas que só têm lamúrias e queixas em suas conversas? Ao contrário, quem consegue facilmente sair de perto de pessoas que têm palavras alegres e construtivas a oferecer?
Ainda ontem constatei na prática alguns desses pensamentos quando estive na casa do Beto. Ele é um grande amigo que está com muitos movimentos paralisados há seis anos em decorrência de um tiro no pescoço.
Fui visitá-lo ontem à noite - era seu aniversário - e durante algumas horas desenvolvemos uma agradabilíssima conversa com mais dois amigos, a Ângela e o Rafael, a respeito de assuntos diversos como cinema, vinhos, programas de TV e livros, e alguns mais profundos como amizade, amor e família, sempre focando o lado positivo de todos esses temas.
Mas não se tratava de um encontro onde queríamos filosofar ou bater um papo-cabeça. Demos muita risada lembrando episódios curiosos de nossas vidas. Nosso bom humor estava em alta e tudo era motivo para brincadeiras e espetadas espirituosas, irônicas e sagazes uns nos outros, coisas que só fazemos quando temos certeza do carinho que nos liga. O Beto, por exemplo, chateou a Ângela um tempão quando a viu pegar um cálice e colocar cubos de gelo para depois se servir de vinho. Para ele, que é um conhecedor e apreciador dessa bebida, aquilo era uma verdadeira heresia. Pobre Ângela. Teve que suportar muitas piadas por causa disso. E rimos muito com todas elas. Rafael, com seu jeitinho mineiro, nos presenteou com curiosos e emocionantes casos de seus familiares em visitas a Chico Xavier, que conheceram pessoalmente. Conversamos e comemos bolo de chocolate. Nos divertimos e aprendemos uns com os outros. Vibramos com o nosso reencontro, repleto de carinho e troca de idéias.

Todos tínhamos em nossas maçãs algumas manchinhas de sangue, nossas mazelas, nossas dificuldades, mas aquele momento era de festa. Cabia-nos degustar o contentamento de estar junto a pessoas queridas e comemorar uma data especial.
O Beto havia me falado alguns dias antes por telefone que intencionava colocar na entrada do seu quarto uma placa com a frase:
“Ao cruzar essa porta traga apenas palavras e pensamentos alegres”
Por essas e outras nossa amizade tem sido uma bênção, e vem me proporcionando um fantástico aprendizado. Apesar das dificuldades pelas quais passa desde o momento em que quase perdeu a vida, ele é uma pessoa cheia de força, inteligência e coragem. De forma parecida estar mais perto da minha mãe me faz receber lições diárias de vida, já que ela também traz no corpo, há cinco anos, seqüelas importantes; em seu caso por conta de um AVC isquêmico.
Tanto um como o outro investe energia em seus trabalhos de fisioterapia; eles buscam minimizar as conseqüências das limitações físicas, e mantêm-se estimulando suas funções cerebrais com exercícios diversos que reforçam e criam sinapses, buscando igualmente atividades que lhes tragam prazer. Portanto, estão vivendo ao invés de apenas estarem sobrevivendo.
Nem tudo foi fácil para ambos ao longo do tempo desde que suas realidades mudaram. Os altos e baixos emocionais aconteceram. Isso é humano e naturalmente compreensível. Entretanto, não importa quantas vezes caiamos e sim quantas nos reerguemos.
Eles me ensinam muito, todos os dias, sobre o poder da ressignificação.
Bem, este artigo começou quando mordi a maçã de forma rápida, e senti a delícia que era sua polpa ácida e doce. Isso me trouxe prazer mas me tirou uma gota de sangue da gengiva.
Como já disse antes, pensei que a situação daria um texto sobre ressignificação.
Agora também penso em marcar uma nova consulta com Dra. Maria Rita, minha dentista.
Depois desses pensamentos, e antes de terminar esse artigo, decidi comer a maçã de forma diferente. Descasquei a fruta e a cortei em pequenos pedaços para mastigar devagar e com cuidado.
Um contratempo também pode servir para fazer as mudanças acontecerem, impulsionar novas atitudes, representando assim um convite da vida para nosso crescimento. Mastiguei e deixei que minha língua se movimentasse com maior tranqüilidade, fazendo com que a parte doce se concentrasse mais tempo na ponta, onde estão as papilas apropriadas para registrar esse sabor.
A vida não precisa parar quando uma adversidade acontece. Não importa o porquê, e sim o para quê e o como. Para quê isso ocorreu? Qual a finalidade disso em minha vida? Ou... como sair dessa realidade e chegar a um ponto mais feliz?
Enquanto perde-se tempo buscando os “porquês”, atitude que só nos faz chegar a explicações estéreis em muitos momentos, concentrar-se no “para quê” e no “como” pode promover um dinamismo muito mais profícuo.
Portanto, se surgir sangue em sua maçã após uma mordida, delicie-se com ela de forma diferente. Aprenda algo. Mude algo.
E escreva um texto.
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TRANSFORMANDO O ABISMO
quinta-feira, 8 de abril de 2010
O mundo está caótico
Vivendo a beira do abismo
Pegamos o caminho errado
Provocamos o suicídio
E agora? Qual o melhor caminho a tomar?
Seguir em frente e pular.
Ou dar a volta e reconsiderar.
Reconsiderar???
E por onde começar?
Que tal primeiro relaxar.
Transformar o abismo
Num lindo lugar para meditar.
Olhar o sol e contemplar.
Tirar o tempo e se amar.
Ouvir, escutar, sentir e tocar.
O homem parece ter perdido seus sentidos.
E até mesmo seu próprio olhar.
Respirar? Nem havia percebido....que é preciso, para então poder...
Caminhar...
Viver...
Amar...
Sorrir...
Chorar...
Palavras tão simples mas que dão sentido a vida.
Trazem Esperança... Liberdade... e Paz!
Josiane Paraboni
Vivendo a beira do abismo
Pegamos o caminho errado
Provocamos o suicídio
E agora? Qual o melhor caminho a tomar?
Seguir em frente e pular.
Ou dar a volta e reconsiderar.
Reconsiderar???
E por onde começar?
Que tal primeiro relaxar.
Transformar o abismo
Num lindo lugar para meditar.
Olhar o sol e contemplar.
Tirar o tempo e se amar.
Ouvir, escutar, sentir e tocar.
O homem parece ter perdido seus sentidos.
E até mesmo seu próprio olhar.
Respirar? Nem havia percebido....que é preciso, para então poder...
Caminhar...
Viver...
Amar...
Sorrir...
Chorar...
Palavras tão simples mas que dão sentido a vida.
Trazem Esperança... Liberdade... e Paz!
Josiane Paraboni
26 - MOMENTO DE PLANAR ou RESERVEI QUATRO LIVROS PARA LER NAS FÉRIAS E SÓ LI TRÊS... PÁGINAS

FOTO: Kau Mascarenhas / aves do lago em Massachusetts - EUA
“Dinheiro não dá em árvores.” / “Deus ajuda aquele que cedo madruga.” / “O trabalho dignifica o homem.” / “No pain, no gain.” (“Sem dor, sem ganhos.”) / “Sucesso só vem antes de Trabalho no dicionário.” / “Laranja madura na beira da estrada tá bichada.” / “Veio fácil, vai fácil.” / “Ganharás o teu pão com o suor do teu rosto.”
Essas e outras crenças, que em sua maioria são instaladas na mais tenra idade, acabam fazendo com que nós acreditemos no esforço, na dor, e até no sofrimento como causas diretas do sucesso na vida.
A última das citadas acima, uma orientação cristã, tem muito mais a ver com a responsabilidade de sermos criadores da nossa própria sorte do que com a necessidade do esforço para se obter resultados.
Pois é... escolheremos dos mestres as lições que quisermos e com elas faremos nossos lemas de vida.
É mais fácil entender a opção de planar quando estamos cansados, entediados ou doídos com algo a que nos dedicamos.
Entretanto, o que fazer quando nosso trabalho corresponde igualmente a um enorme prazer? Quando não sentimos que fazemos esforço mas nos dedicamos, dispensando muito tempo e energia ao nosso labor sem nos darmos conta de que estamos exagerando?
Faz aproximadamente quinze anos, conversando com minha amiga-irmã Inês Cozzo, especialista em neurobusiness e neuroaprendizagem, elucubrávamos sobre esse ponto. Vivíamos àquela época uma realidade parecida que era aceitar uma carga de trabalho excessiva por conta de obtermos na profissão uma grande satisfação pessoal. Estudávamos juntos num curso a linguagem hipnótica de Milton Erickson e o valor das metáforas, sob a forma de contos e fábulas, no disparo de soluções para os inúmeros problemas da alma humana.
Criei, então, para ela, e para mim também, obviamente, a história que intitulei de “A Rainha e Seus Tapetes”:
Era uma vez uma rainha que gostava muito de fazer tapetes de diversas cores e formatos. O rei ficava preocupado pois achava que a rainha se desgastava muito fazendo aquilo. Mas não a impedia já que aquela atividade tanto a alegrava. Enquanto trabalhava, ela não sentia o mínimo cansaço. Mas, depois, percebia que havia se excedido.
Um dia a rainha teceu tanto, tanto... correram as horas e o dia virou noite, e a noite virou dia, e ela tecia e tecia sem parar até perceber que suas mãos, de repente, haviam se recusado a continuar trabalhando. Estavam paradas, sem qualquer movimento.
A rainha olhou para elas e disse: “vocês são minhas e precisam me obedecer!”
No entanto, suas mãos continuavam imóveis.
Tristonha, a rainha respirou fundo e pediu que sua fada madrinha viesse para socorrê-la.
Não esperou muito tempo. Logo, logo, a fada entrou pela janela do castelo sob a forma de uma bela pombinha branca. Assim que pousou em uma de suas mãos, disse:
- Eu também, sob a forma de ave, vivo no chão recolhendo o milho que me alimenta, e isso me agrada muitíssimo. Mas para voar e ficar perto do céu, preciso relaxar meu bico.
Quando atuo com o bico, relaxo as asas. Quando bato minhas asas, relaxo o bico. E isso me faz ser feliz, descansando e fazendo o que é importante fazer, nos momentos certos.
E foi assim que a rainha descobriu que suas mãos também são pombas, e querem ter seus momentos de voar. Sua libertação começou naquele instante...
Sempre releio esse meu texto e ele me sacode muito para aprender com as aves.
FOTO: Kau Mascarenhas / gaivota em Florianópolis
Opa! Era justamente sobre planar e bater asas este artigo.
Entretanto, posso me encontrar motivadíssimo para fazer algo, sobretudo sendo um trabalho criativo, e nesse ponto especificamente residir um grave problema.
Não sei exatamente como foi que aconteceu mas, depois de uns sete anos sem um período longo de descanso, resolvi tirar férias mais extensas e planei. Do final de dezembro ao final de fevereiro. E posso dizer que ainda estou, mesmo agora em abril, num ritmo diferente daquele que eu tinha como habitual.
Reservei quatro livros para ler durante os dois meses. Li apenas três... páginas!
Fiquei mais tempo com amigos importantes.
Assisti a novelas na TV de mãos dadas com minha mãe, inúmeras vezes.
No dia seguinte, na sessão de auto-ajuda de uma grande livraria (por sinal, exatamente onde está meu próprio livro “Mudando para Melhor”, Ed. Altos Planos) encontrei um exemplar deste best-seller que até hoje já vendeu mais de 5 milhões de cópias em todo o mundo.
Embora já tivesse recebido recomendações de outros amigos que são fãs do livro, só agora eu estava preparado para lê-lo. Agora eu tinha mais poder para compreender o poder do agora, até mesmo porque tinha vivido cerca de dois meses planando, vivendo o presente.
Somos tão acostumados a fazer, como diz Tolle, que até o pensar se torna uma compulsão, uma doença, um vício.
Planei quando disse “não” a alguns convites para atividades profissionais ou filantrópicas, respeitando mais o que minha alma pedia naqueles momentos.
Planando na vida:
Na sua semana, no seu mês ou no seu ano, reserve o seu tempo de estar com absoluta liberdade para saborear o presente. Reserve um tempo em que o prazer de viver seja a estrela do seu filme.
Planando na Vida afetiva:
Você está há muito tempo se esforçando para conseguir a atenção de alguém que ama? Você escreve muito e não obtém resposta? Você dá muitos presentes e mal recebe um “muito obrigado”? Você ensina muito e nada recebe em troca? Oferece demais e não vê retorno? Que tal planar? Desvie sua atenção para outras direções. Cuide mais de si e sinta prazer em ser quem é.
Convido você a ser sábio como os pássaros e a planar também. Para quê tanto esforço? Saiba exatamente quando é o momento de flutuar, pura e simplesmente, e quando é importante bater as asas. Perceba que cada um desses períodos pode representar minutos, horas, dias, semanas ou meses.
Eu estou apenas começando a me dar conta disso tudo. E você?
Curso Básico de PNL – Programação Neurolinguística: Esse curso que realizamos é o início da formação Practitioner em PNL. Aberto a qualquer pessoa com mais de 18 anos que busque aprender, crescer e mudar, queria mais força para alcançar seus objetivos e maior felicidade na vida. Informações: www.kaumascarenhas.com.br
Kau Mascarenhas: conferencista e consultor em desenvolvimento humano, atuando em diversas cidades do Brasil e dos Estados Unidos / autor do livro “Mudando para Melhor”, Ed. Altos Planos e do cd “Vida Nova”. kaumasc@yahoo.com.br
Inês Cozzo: www.taiconsultoria.com.br / psicóloga, especialista em neurobusiness e neuroaprendizagem, consultora em desenvolvimento humano. Autora dos livros: “Neuroaprendizagem e Inteligência Emocional”, Ed. Qualitymark, e “Abordagens Alternativas em T&D”, Ed. ABTD.
Liane Pinto: psicóloga, conferencista, consultora em desenvolvimento humano / faz palestras em todo o Brasil e no exterior, com várias abordagens como PNL, Somatic Experiencing, Biosintese dentre outras. lianesppinto@hotmail.com
Magaly Evangelista: atriz e conferencista em desenvolvimento humano / co-criadora do Curso Proscênio de Teatro com PNL, indicado para pessoas com fobia social, comportamentos tímidos e stress. magalyevangelista@uol.com.br
Ângela Simões: psicóloga junguiana, professora no curso de pós-graduação em psicologia analítica, palestrante. Contatos: angela.simoes@terra.com.br

FOTO: Kau Mascarenhas / gaivotas em Florianópolis
Momento de Planar
ou
Reservei Quatro Livros para Ler nas Férias e Só Li Três... Páginas!
(de Kau Mascarenhas)
ou
Reservei Quatro Livros para Ler nas Férias e Só Li Três... Páginas!
(de Kau Mascarenhas)
Os pássaros têm uma grande vantagem em relação aos seres humanos: sabem qual o momento adequado para bater asas ou para planar.
Nós ocidentais, sobretudo, costumamos acreditar que agitar-se bastante é a única fórmula para alcançar aquilo que queremos e subir às alturas do que chamamos de felicidade. Será?
A primeira vez que me ocorreu refletir sobre esse tema aconteceu quando conversava com a minha querida amiga Magaly Evangelista, atriz e conferencista, com formação completa em Programação Neurolinguística.
Falávamos sobre o esforço que alguns empregam no sentido de alcançar seus resultados e que, em muitos momentos, não surte efeito. Às vezes isso se dá justamente porque fazem esforço.
Hummm... Pode ser que você esteja se perguntando se estou aqui fazendo apologia da Lei do Menor Esforço, e quem sabe, eu seja uma espécie de Jeca Tatu pós-moderno, personagem de Monteiro Lobato que apregoava, por exemplo, a falta de necessidade de fazer uma quarta perna para um banquinho, já que apenas três permitem o equilíbrio.
Confesso a você que me pego às vezes cheio de dúvidas quanto ao sentido da palavra “esforço”. E pode ser que todos nós ainda tenhamos vários programas antigos sobre ela, e bem negativos, rodando em nosso computador cerebral desde a infância:
“Dinheiro não dá em árvores.” / “Deus ajuda aquele que cedo madruga.” / “O trabalho dignifica o homem.” / “No pain, no gain.” (“Sem dor, sem ganhos.”) / “Sucesso só vem antes de Trabalho no dicionário.” / “Laranja madura na beira da estrada tá bichada.” / “Veio fácil, vai fácil.” / “Ganharás o teu pão com o suor do teu rosto.”
Essas e outras crenças, que em sua maioria são instaladas na mais tenra idade, acabam fazendo com que nós acreditemos no esforço, na dor, e até no sofrimento como causas diretas do sucesso na vida.
A última das citadas acima, uma orientação cristã, tem muito mais a ver com a responsabilidade de sermos criadores da nossa própria sorte do que com a necessidade do esforço para se obter resultados.
Talvez fosse interessante lembrar que o próprio Jesus também nos orientou a olhar os lírios do campo e aprender com eles: “... não trabalham e nem fiam. No entanto, eu vos asseguro que nem Salomão, em toda a sua glória se vestiu como um deles.”
Os lírios não se preocupam com o dia de amanhã, nem se esforçam para crescer no campo. Apenas crescem.
Os lírios não se preocupam com o dia de amanhã, nem se esforçam para crescer no campo. Apenas crescem.
Pois é... escolheremos dos mestres as lições que quisermos e com elas faremos nossos lemas de vida.
É mais fácil entender a opção de planar quando estamos cansados, entediados ou doídos com algo a que nos dedicamos.
Entretanto, o que fazer quando nosso trabalho corresponde igualmente a um enorme prazer? Quando não sentimos que fazemos esforço mas nos dedicamos, dispensando muito tempo e energia ao nosso labor sem nos darmos conta de que estamos exagerando?
Faz aproximadamente quinze anos, conversando com minha amiga-irmã Inês Cozzo, especialista em neurobusiness e neuroaprendizagem, elucubrávamos sobre esse ponto. Vivíamos àquela época uma realidade parecida que era aceitar uma carga de trabalho excessiva por conta de obtermos na profissão uma grande satisfação pessoal. Estudávamos juntos num curso a linguagem hipnótica de Milton Erickson e o valor das metáforas, sob a forma de contos e fábulas, no disparo de soluções para os inúmeros problemas da alma humana.
Criei, então, para ela, e para mim também, obviamente, a história que intitulei de “A Rainha e Seus Tapetes”:
Era uma vez uma rainha que gostava muito de fazer tapetes de diversas cores e formatos. O rei ficava preocupado pois achava que a rainha se desgastava muito fazendo aquilo. Mas não a impedia já que aquela atividade tanto a alegrava. Enquanto trabalhava, ela não sentia o mínimo cansaço. Mas, depois, percebia que havia se excedido.
Um dia a rainha teceu tanto, tanto... correram as horas e o dia virou noite, e a noite virou dia, e ela tecia e tecia sem parar até perceber que suas mãos, de repente, haviam se recusado a continuar trabalhando. Estavam paradas, sem qualquer movimento.
A rainha olhou para elas e disse: “vocês são minhas e precisam me obedecer!”
No entanto, suas mãos continuavam imóveis.
Tristonha, a rainha respirou fundo e pediu que sua fada madrinha viesse para socorrê-la.
Não esperou muito tempo. Logo, logo, a fada entrou pela janela do castelo sob a forma de uma bela pombinha branca. Assim que pousou em uma de suas mãos, disse:
- Eu também, sob a forma de ave, vivo no chão recolhendo o milho que me alimenta, e isso me agrada muitíssimo. Mas para voar e ficar perto do céu, preciso relaxar meu bico.
Quando atuo com o bico, relaxo as asas. Quando bato minhas asas, relaxo o bico. E isso me faz ser feliz, descansando e fazendo o que é importante fazer, nos momentos certos.
E foi assim que a rainha descobriu que suas mãos também são pombas, e querem ter seus momentos de voar. Sua libertação começou naquele instante...
Sempre releio esse meu texto e ele me sacode muito para aprender com as aves.
FOTO: Kau Mascarenhas / gaivota em FlorianópolisOpa! Era justamente sobre planar e bater asas este artigo.
Falar sobre o movimento ascendente-descendente das asas e sobre o instante em que elas ficam abertas e paradas também me remete ao trabalho de Domenico de Masi.
O sociólogo italiano, autor do famoso livro “O Ócio Criativo” diz, veementemente, que nunca jogou tempo fora. Quando fala sobre ócio não está pregando a indolência ou a preguiça vazia, mas lançando uma nova visão em que trabalho, jogo e aprendizado se integram, coincidem. Um tripé perfeito para nossas atividades, e nossa vida como um todo.
O sociólogo italiano, autor do famoso livro “O Ócio Criativo” diz, veementemente, que nunca jogou tempo fora. Quando fala sobre ócio não está pregando a indolência ou a preguiça vazia, mas lançando uma nova visão em que trabalho, jogo e aprendizado se integram, coincidem. Um tripé perfeito para nossas atividades, e nossa vida como um todo.
Passeando pelos seus conceitos percebemos que demos tanta força ao trabalho, às tarefas que nos absorvem o tempo, que acabamos confundindo o papel de pessoa que trabalha com nossa própria identidade. Nós não somos nossos papéis profissionais.
É da minha amiga Inês Cozzo, citando-a mais uma vez, uma experiência em que ouvia pessoas se apresentando num evento:
- Eu sou Antônio da Silva, engenheiro, da Petrobrás.
- Eu sou Maria de Souza, advogada, do Bradesco.
- Eu sou Manoel Ferreira, gerente de RH, da Vale.
E ela, espirituosa e sagaz, disse a seguir:
- E eu sou Inês Cozzo, de mim mesma. Muito prazer.
- Eu sou Antônio da Silva, engenheiro, da Petrobrás.
- Eu sou Maria de Souza, advogada, do Bradesco.
- Eu sou Manoel Ferreira, gerente de RH, da Vale.
E ela, espirituosa e sagaz, disse a seguir:
- E eu sou Inês Cozzo, de mim mesma. Muito prazer.
E você? Consegue se perceber sendo mais que o bater das próprias asas?
Há pessoas que dizem trabalhar porque precisam, necessitam, vêem o trabalho como algo obrigatório. Nas leis ele aparece como um dever cívico; na religião como uma imposição divina. Nesses casos são usados, verbal ou mentalmente, como definidores da atividade profissional ou do serviço voluntário (pois também se trabalha sem remuneração, lógico), palavras que “empurram” ao invés de “convidar”. São os operadores modais de necessidade: dever, ter que, é necessário, é obrigatório, é preciso, por exemplo. Produzem desmotivação. São palavras que foram ouvidas por nós inúmeras vezes quando, desde a infância, éramos instados a deixar aquilo de que gostávamos para fazer aquilo que não estávamos querendo no momento:
“Menino, já pra casa! Você tem que tomar banho e ir pra escola!”
“Menina, saia da frente da TV porque você precisa estudar para a prova!”
“Menina, saia da frente da TV porque você precisa estudar para a prova!”
Você imagina por quanto tempo fomos programados para resistir a essas palavras?
Elas trazem efeito diametralmente oposto ao dos operadores modais de possibilidade, que em nossa neurologia atuam como propulsores, energizadores e estimuladores: prazer, gostar de, ter vontade de, perceber a importância de, e querer, por exemplo.
Perceba a diferença entre as duas frases a seguir num processo de diálogo interno:
1- “Preciso terminar o relatório para entregá-lo amanhã. Tenho que terminar. É minha obrigação fazê-lo.”
2- “O prazo máximo para a entrega do relatório é amanhã. Quero entregá-lo no prazo. É muito importante para mim. Ficarei muito contente quando fizer isso.”
1- “Preciso terminar o relatório para entregá-lo amanhã. Tenho que terminar. É minha obrigação fazê-lo.”
2- “O prazo máximo para a entrega do relatório é amanhã. Quero entregá-lo no prazo. É muito importante para mim. Ficarei muito contente quando fizer isso.”
Qual das duas você considera mais motivadora?
Trabalhar por necessidade acaba sendo muito mais cansativo e tendo caráter sacrificante, do que trabalhar com prazer. Nada de novo; bem óbvio.
Entretanto, posso me encontrar motivadíssimo para fazer algo, sobretudo sendo um trabalho criativo, e nesse ponto especificamente residir um grave problema.
Aqueles que lidam com arte, desenvolvimento humano, ou atividades em áreas diversas que tragam para si um prazer gigantesco, podem ter essa motivação toda como uma ameaça a sua harmonia com outras áreas relacionadas à felicidade, como a própria saúde física e emocional.
Posso gostar tanto de bater as asas que me esqueço de respeitar meu tempo, meu corpo, meu sono, meu lazer, meus relacionamentos. Esqueço de planar.
Não sei exatamente como foi que aconteceu mas, depois de uns sete anos sem um período longo de descanso, resolvi tirar férias mais extensas e planei. Do final de dezembro ao final de fevereiro. E posso dizer que ainda estou, mesmo agora em abril, num ritmo diferente daquele que eu tinha como habitual.
Reservei quatro livros para ler durante os dois meses. Li apenas três... páginas!
Fiquei mais tempo com amigos importantes.
Assisti a novelas na TV de mãos dadas com minha mãe, inúmeras vezes.
Intensifiquei meus treinos na academia de ginástica.
Dormi tarde. Acordei tarde; muitas vezes sem despertador, quando meus olhos quiseram se abrir.
Assisti a bons filmes em DVD, sozinho em casa, saboreando um cálice de Cabernet.
Fui sozinho ao cinema.
Fui acompanhado ao cinema.
Jantei e almocei com pessoas queridas.
Fui com amigos ao teatro.
Deixei de responder emails com a mesma brevidade de antes.
Revi pessoas importantes e conheci outras que farão parte de minha vida mesmo à distância.
Vivi histórias fortes. E reconheci o valor das histórias mansas.
Reduzi minha participação em nossa rede social Ning e demorei a dar retorno para os scraps do Orkut.
Andei na praia. Corri no calçadão da orla. Respirei mais. Conheci mais a meu próprio respeito.
Vibrei com o Carnaval soteropolitano. Brinquei e dancei por 4 dias cercado de alegria, música e confetes, acompanhado de amigos muito animados, me divertindo como nunca havia feito antes.
Passei cinco dias em Buenos Aires com Ângela Simões, amiga muito amada, psicóloga junguiana. Rimos e conversamos muito durante nossa estada na capital argentina.
No avião, retornando para o Brasil, eu a vi na poltrona ao lado lendo vorazmente um livro que havia levado, e eu nem sequer abri o meu. O melhor de tudo nesse instante: não surgiu nenhuma culpa.
Em outros tempos eu sentiria. Viajar e não ler nada no avião? Impossível. Dessa vez, fiquei ótimo.
Porque será que alguns sentem tanta culpa quando não estão fazendo algo, lendo, ou produzindo? Poderíamos simplesmente estar ali aprendendo de outras formas. Ou nos divertindo. Isso é difícil de aceitar? Será que a vontade de ser amado está vinculada a produzir, dar, criar, fazer, e quando estamos simplesmente vivendo o presente, saboreando o simples prazer de existir, ficamos nos sentindo menores ou piores, ou com receio de não sermos mais queridos por nossos queridos?
Foi justamente Ângela quem, “por acaso”, me apresentou o livro “O Poder do Agora” de Eckhart Tolle quando comentei que estava escrevendo esse artigo sobre “planar”.
Por “acaso” almoçamos juntos e eu conversava sobre essa fase de “parada pra balanço” que eu estava vivendo. Ela então me expôs a importância das idéias contidas no livro, que traziam algo bem próximo aos pontos que eu estava abordando.
Huummm... prepare-se, vou citar a Inês de novo. Foi através dela que conheci a frase: “Acaso é o nome que Deus usa quando não quer assinar uma de suas obras”.
No dia seguinte, na sessão de auto-ajuda de uma grande livraria (por sinal, exatamente onde está meu próprio livro “Mudando para Melhor”, Ed. Altos Planos) encontrei um exemplar deste best-seller que até hoje já vendeu mais de 5 milhões de cópias em todo o mundo.
Embora já tivesse recebido recomendações de outros amigos que são fãs do livro, só agora eu estava preparado para lê-lo. Agora eu tinha mais poder para compreender o poder do agora, até mesmo porque tinha vivido cerca de dois meses planando, vivendo o presente.
Viver o Agora de Tolle tem a ver com o ócio criativo do De Masi e com o meu planar nesse momento.
Somos tão acostumados a fazer, como diz Tolle, que até o pensar se torna uma compulsão, uma doença, um vício.
É um grande desafio, portanto, conseguir o instante meditativo em que nossa mente zera, no qual nos convertemos em observadores de nós mesmos, e em que não há julgamento de qualquer natureza. Seríamos “sentidores” e não “pensadores”. Meu WORD acusa a não existência da primeira palavra sublinhando-a com um tracinho zigzag vermelho. Mas o verbete “pensadores” aparece normal, lépido e fagueiro.
Para nós pensar é conhecido e aceito até pelo laptop, e há uma palavra em nosso idioma para quem pensa. Até na arte Rodin a representou divinamente. Para quem sente, não há palavra. “Sentidor” é neologismo. E “sentimental” não define a idéia que aqui estou explorando. É outra coisa.
Não é que pensar seja ruim, pelamordedeus! Nosso neocórtex, que ajuda demais nesse processo, super-upgrade que nosso cérebro recebeu na estrada evolutiva, é um presente fantástico e não podemos ser ingratos com a natureza. Apenas advogo uma possibilidade de deixar a mente em quietude de vez em quando.
Exemplificando: é ótimo saber que minhas pernas andam, se movimentam, pulam, dançam. Mas quando vou assistir a um filme no cinema gosto de ter a opção de aquietá-las. Guardando todas as devidas proporções e lembrando que se trata apenas de uma metáfora, se posso fazer isso com as pernas, porque não posso tentar fazer o mesmo com minha mente? O que será que nos faz achar tão impossível mergulhar num estado de vazio mental?
Provavelmente ainda seguimos a máxima de Descartes que associa o pensar a nossa própria vida: “Penso, logo existo”. Esse condicionamento é tão forte que acaba sendo considerado uma condição vital.
E se tivermos alguns instantes, por mais breves que sejam, em que nossa mente esteja em repouso? Deixaríamos de existir por conta disso?
Entrar na dimensão meditativa da “mente vazia”, como dizem os orientais, pode representar um caminho novo. Será visto, por alguns, como falácia ou utopia. Para mim, entretanto, é um convite a fazer a mente planar por algum período.
O nosso medo do “nada” acaba sendo um perigo ao “algo”.
Se formos observar, a música só acontece porque existe espaço vazio entre as notas. As pausas são fundamentais à harmonia e ao equilíbrio. Um pensamento japonês antigo nos lembra que a virtude de um vaso é justamente o seu vazio. Nossa estrutura física é construída mais com pausas e faltas do que com elementos sólidos, se considerarmos que qualquer corpo material, observado de forma gigantescamente ampliada, é mais composto de “nada” do que de “algo”. Os átomos são cheios de vazios. Muito mais vazios do que cheios.
E o que fazer quando somos assaltados por idéias, pensamentos, julgamentos, medo, culpa, mágoa ou ansiedade, justamente nos instantes em que queremos o vazio da mente?
Quem nos dá uma boa resposta para essa pergunta é Robert Dilts, um dos maiores nomes da Programação Neurolinguística na atualidade, e um dos conferencistas mais carismáticos que já conheci, num seminário em Campinas há alguns anos, em que desenvolvia a idéia de estar no Presente.
“Nossa mente é sábia e quer o melhor. Ela aprendeu que pode ir para o passado e para o futuro quantas vezes quiser, e viver ou reviver todas as emoções relativas ao que já aconteceu e ao que ainda vai surgir. Só há uma dimensão em nós que, inegavelmente, está o tempo todo no Presente: o corpo. Ele pode ser a chave para viver o agora.”
Após explanar a idéia, Dilts nos convidou a fazer uma experiência em que sentiríamos mais atentamente nossa respiração, e cada uma das sensações inerentes ao nosso arcabouço físico. Prestando atenção de verdade a tudo o que sentimos, desde o toque da roupa em nossa pele, à sensação de segurança e equilíbrio em estar de pé, com os pés bem apoiados no chão, podemos nos abstrair dos tempos que não temos, passado e futuro, e nos apropriar do tempo real, o presente.
Ampliar nossa percepção do que acontece no aqui-agora permite sair das dores relacionadas às coisas que já aconteceram e da ansiedade, ou medo, relativo a algo que ainda não chegou. Isso também representa um bom caminho para a paz.
Quem sabe seja no nada e no vazio que temos a possibilidade maior de promover nosso encontro com Deus? Seria, portanto, o vácuo mental uma porta mais verdadeira para a oração? Meditar e orar poderiam se aproximar, não por identificação absoluta, mas por que uma pode ajudar a produzir a outra? O nada fazer, e o zero-mental, poderiam ser uma forma de encontrar o Criador?
Ajude-me a encontrar as respostas. Eu não as tenho.
Mas posso dizer a você que planei, e encontrei mais tranqüilidade que em muitos momentos de busca alucinada e desenfreada por paz – que era em si um grande paradoxo.
Planei quando nada fiz, e acabei me abastecendo de muita energia para todo o fazer dos próximos meses. Certamente, será diferente a partir de agora, pois saberei reservar pequenas brechas em minha agenda, diariamente, para doses homeopáticas de vazio.
Planei quando disse “não” a alguns convites para atividades profissionais ou filantrópicas, respeitando mais o que minha alma pedia naqueles momentos.
Planei sim. E se agora esse artigo está diante dos seus olhos pode ter certeza que este já é um doce fruto das sementes do “nada” que plantei ao longo dos últimos meses.
Então, para quem está trabalhando em excesso, planar pode ser descanso e diversão. Para quem pensa demais, planar pode ser sossegar a mente. Ou seja, mudar padrão. Puxar um pouco o freio... ou pelo menos desacelerar. O que seria planar em sua vida?
Planando no trabalho:
Mesmo que você trabalhe 5 dias por semana, das 8:00 às 18:00, é possível reservar um tempo para o vazio. Algumas pessoas tiram minutos para fumar ou tomar cafezinho. Você pode reservar de tempos em tempos uns breves minutos para estar consigo, abstraindo-se do ambiente ou tornando-se observador dele, e de si mesmo. Concentre-se em si, em tudo o que seu corpo está sentindo, na própria respiração, no que está ouvindo interna e externamente.
Mesmo que você trabalhe 5 dias por semana, das 8:00 às 18:00, é possível reservar um tempo para o vazio. Algumas pessoas tiram minutos para fumar ou tomar cafezinho. Você pode reservar de tempos em tempos uns breves minutos para estar consigo, abstraindo-se do ambiente ou tornando-se observador dele, e de si mesmo. Concentre-se em si, em tudo o que seu corpo está sentindo, na própria respiração, no que está ouvindo interna e externamente.
Se ocorrer algum diálogo dentro da mente, ao invés de combatê-lo, observe-o. Saboreie o planar com todos os seus sentidos.
Planando na vida:
Na sua semana, no seu mês ou no seu ano, reserve o seu tempo de estar com absoluta liberdade para saborear o presente. Reserve um tempo em que o prazer de viver seja a estrela do seu filme.
Garanta momentos, que podem ser minutos, horas ou dias, a depender do caso, para apenas viver. E só.
Isso pode ser feito também no dia-a-dia imaginando que pode juntar o trabalho com o lúdico e o aprendizado. Nos cursos de PNL que ministro ao lado da minha amiga-irmã e colega Liane Pinto, psicóloga e consultora em desenvolvimento humano, fazemos com que nossas aulas sejam muito animadas e repletas de estados diferenciados.
Isso não acontece apenas porque queremos ser bem sucedidos no processo de comunicação, mas porque também nos sentimos abastecidos quando nos divertimos enquanto atuamos. É muito bom estar em sala de aula, desenvolvendo um ambiente de aprendizado favorável para os grupos, pilotando a experiência com alguém que tem bom-humor, e Liane é fantástica nesse sentido. É muito importante estarmos certos de que Saber e Sabor estejam casadinhos.
Outro ponto valioso: sempre aprendemos com os participantes dos nossos cursos. O tempo todo.
Concordo com De Masi, portanto. Com os três apoios esse é um banco perfeito para sentarmos: trabalho + ludicidade + aprendizado.
E em alguns casos, com a cautela adequada, que tal dizer não a alguns trabalhos para ficar apenas sendo feliz consigo mesmo?
Planando na Vida afetiva:
Você está há muito tempo se esforçando para conseguir a atenção de alguém que ama? Você escreve muito e não obtém resposta? Você dá muitos presentes e mal recebe um “muito obrigado”? Você ensina muito e nada recebe em troca? Oferece demais e não vê retorno? Que tal planar? Desvie sua atenção para outras direções. Cuide mais de si e sinta prazer em ser quem é.
Tome conta do seu jardim e as borboletas, depois, chegarão, disse Mário Quintana.
Convido você a ser sábio como os pássaros e a planar também. Para quê tanto esforço? Saiba exatamente quando é o momento de flutuar, pura e simplesmente, e quando é importante bater as asas. Perceba que cada um desses períodos pode representar minutos, horas, dias, semanas ou meses.
Eu estou apenas começando a me dar conta disso tudo. E você?
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Curso Básico de PNL – Programação Neurolinguística: Esse curso que realizamos é o início da formação Practitioner em PNL. Aberto a qualquer pessoa com mais de 18 anos que busque aprender, crescer e mudar, queria mais força para alcançar seus objetivos e maior felicidade na vida. Informações: www.kaumascarenhas.com.br
Kau Mascarenhas: conferencista e consultor em desenvolvimento humano, atuando em diversas cidades do Brasil e dos Estados Unidos / autor do livro “Mudando para Melhor”, Ed. Altos Planos e do cd “Vida Nova”. kaumasc@yahoo.com.br
Inês Cozzo: www.taiconsultoria.com.br / psicóloga, especialista em neurobusiness e neuroaprendizagem, consultora em desenvolvimento humano. Autora dos livros: “Neuroaprendizagem e Inteligência Emocional”, Ed. Qualitymark, e “Abordagens Alternativas em T&D”, Ed. ABTD.
Liane Pinto: psicóloga, conferencista, consultora em desenvolvimento humano / faz palestras em todo o Brasil e no exterior, com várias abordagens como PNL, Somatic Experiencing, Biosintese dentre outras. lianesppinto@hotmail.com
Magaly Evangelista: atriz e conferencista em desenvolvimento humano / co-criadora do Curso Proscênio de Teatro com PNL, indicado para pessoas com fobia social, comportamentos tímidos e stress. magalyevangelista@uol.com.br
Ângela Simões: psicóloga junguiana, professora no curso de pós-graduação em psicologia analítica, palestrante. Contatos: angela.simoes@terra.com.br

25- REVISTA SUPERINTERESSANTE E CHICO XAVIER
segunda-feira, 5 de abril de 2010

Amigos, como vão?
Nao sei se já tomaram conhecimento mas a Revista Superinteressante, que era uma referência para mim em se tratando de leitura confiável sobre diversos assuntos, publicou em sua nova ediçao, a de abril, uma matéria bastante negativa com dados enviesados sobre Chico Xavier, justamente nesse momento em que sua imagem está sendo tão carinhosamente lembrada.
É bem fácil perceber que não se trata de um artigo científico imparcial, e sim uma coletânea tendenciosa de informações truncadas com claro objetivo difamatório.
Não sou uma pessoa do tipo que idolatra ou mitifica os médiuns, vocês me conhecem. Por outro lado, respeito demais o trabalho que Chico Xavier nos legou e sei que muito crescemos com ele. Senti uma certa indignação ao ver que uma revista de tamanha projeção dedicou sua matéria de capa ao médium mineiro e tratou seu trabalho e sua história de forma desrespeitosa.
Cada um tem o direito de escrever e publicar seus pensamentos e idéias. Isso é certo. Contudo, seus leitores têm o direito de também expressar sua opinião.
O mais sério de tudo isso é o fato de haver pontos no artigo nos quais a verdade fica embotada.
O carissimo Richard Simonetti fez uma carta para a revista e a repassou para algumas pessoas.
Eu a recebi por intermedio de um amigo da Florida, o Dalmo, e estou mandando aqui para vcs.
Acho interessante promovermos uma campanha em que nós (espiritas, não espíritas, simpatizantes das idéias espíritas, ou simplesmente pessoas que admiram o trabalho belíssimo do Chico), possamos seguir o exemplo, e escrever em massa para a revista expressando tb a nossa opinião, seja ela qual for. Isso pode ser feito por carta à editora Abril ou através do site da revista:
http://super.abril.com.br/home/ (na parte de baixo da pagina há um link "fale com a redação")
Será ótimo também se vocês puderem ler o artigo antes para a seguir formar sua própria opinião. Após, podem repassar esse material para sua lista de contatos.
Segue abaixo a carta do Simonetti para o diretor de redação da revista.
Em muitos momentos nosso silêncio e nossa omissão podem representar a pior violência que sofre a verdade.
Grande e kaurinhoso abraço a todos,
Kau
www.kaumascarenhas.com.br
www.mudandoparamelhor.ning.com
...................................................................................
Senhor Sérgio Gwercman
Diretor de redação da revista Super Interessante
Sou assinante dessa revista há muitos anos. Sempre a encarei como publicação séria, fonte de informações a oferecer subsídios para meu trabalho como escritor espírita, autor de 49 livros publicados.
Essa concepção caiu por terra ao ler, na edição de abril, infeliz reportagem sobre Francisco Cândido Xavier, pretensiosa e tendenciosa, objetivando, nas entrelinhas, denegrir e desvalorizar o trabalho do grande médium.
Isso pode ser constatado já na seção “Escuta”, com sua assinatura, em que V.S. pretende distinguir respeito de reverência, como se reverência não fosse o respeito profundo por alguém, em face de seus méritos.
Podemos e devemos reverenciar Chico Xavier, não por adesão de uma fé cega, mas pela constatação racional, lúcida, lógica, de que estamos diante de uma personalidade ímpar, que fez mais pelo bem da Humanidade do que mil edições de Superinteressante, uma revista situada como defensora do bom jornalismo, mas que fez aqui o que de pior existe na mídia – a apreciação superficial e tendenciosa a respeito de alguém ou de uma notícia, com todo respeito, como pretende seu editorial, como se fosse possível conciliar o certo com o errado, o boato com a realidade, o achincalhe com o respeito.
Para reflexão da repórter Gisela Blanco e redatores dessa revista que em momento algum aprofundaram o assunto e nem mesmo se deram ao trabalho de ler os principais livros psicografados pelo médium, sempre com abordagem superficial, pretendendo “explicar” o fenômeno Chico Xavier, aqui vão alguns aspectos para sua reflexão e – quem sabe? – um cuidado maior em futuras reportagens.
De onde a repórter tirou essa bobagem de que “toda essa história começou com as cartas dos mortos?”
Se as eliminarmos em nada se perderá a grandeza de Chico Xavier. A história começa bem antes disso, com a publicação, em 1932, do livro Parnaso de Além-Túmulo, quando o médium tinha apenas 22 anos.
A reportagem diz: “Ele dizia que não escolhia os espíritos a quem atenderia, só via fantasmas e ouvia vozes. Mas parecia ser o escolhido por celebridades do céu. Cruz e Souza, Olavo Bilac, Augusto dos Anjos e Castro Alves lhe ditaram versos e prosa.”
Afirmativa maliciosa, sugerindo o pastiche, a técnica de copiar estilo literário. O repórter não se deu ao trabalho de observar que no próprio Parnaso há, nas edições atuais, 58 poetas desencarnados, menos conhecidos e até desconhecidos, como José Duro, Alfredo Nora, Alma Eros, Amadeu, B.Lopes, Batista Cepelos, Luiz Pistarini, Valado Rosa… Poetas do Brasil e de Portugal que se identificam pelo seu estilo, em poesias personalíssimas enriquecidas por valores de espiritualidade.
Não sabe ou preferiu omitir a repórter que Chico psicografou poesias de centenas de poetas desencarnados, ao longo de seus 75 anos de apostolado, na maior parte poetas provincianos, conhecidos apenas nas cidades onde residiam no interior do Brasil. Pesquisadores constatam que esses poemas não são “razoavelmente fiéis ao estilo dos autores”. São totalmente fiéis.
Não tem a mínima noção de que a técnica do pastiche, a imitação de estilo literário, é extremamente difícil, quase impossível. Pastichadores conseguem imitar uma página, uma poesia de alguém, jamais toda uma obra ou as obras de centenas de autores.
Afirma que Chico foi autodidata e leitor voraz durante toda a vida, sempre insinuando o pastiche. Leitor voraz? Passava os dias lendo? Só quem não conhece sua biografia pode falar uma bobagem dessa natureza, já que Chico passava a maior parte de seu tempo atendendo pessoas, psicografando, participando de reuniões e atendendo à atividade profissional. Não conheço um único documentário, uma única foto mostrando Chico lendo “vorazmente”. Ah! Sim! Para a repórter Chico certamente escondia isso.
Fala também que Chico teria 500 livros em sua biblioteca e que “a lista inclui volumes de autores cujo espírito o teria procurado para escrever suas obras póstumas, como Castro Alves e Humberto de Campos”.
E as centenas de poetas e escritores que se manifestaram por seu intermédio. Chico tinha livros deles? E de poetas que sequer publicaram livros?
Quanto a Humberto de Campos, cuja família tentou receber na justiça os direitos autorais pelas obras psicografadas por Chico, o que seria ótimo acontecer, o reconhecimento oficial da manifestação dos Espíritos, esqueceu-se a repórter de informar que Agripino Grieco, o mais famoso crítico literário de seu tempo, recebeu uma mensagem do escritor, de quem era amigo. Reconheceu que o estilo era autenticamente de Humberto de Campos, mas que o fato para ele não tinha explicação, já que, como católico praticante, não admitia a possibilidade de manifestação dos espíritos.
Esqueceu ou ignora que Chico, médium psicógrafo mecânico, recebia duas mensagens simultaneamente, com ambas as mãos sendo usadas por dois espíritos. Desafio Superinteressante a encontrar um prestidigitador capaz de fazer algo semelhante.
Uma pérola de ignorância jornalística está na referência sobre materialização de Espíritos: “seria necessário produzir um total de energia duas vezes maior do que é hoje produzido pela hidroelétrica de Itaipu por ano, segundo os cálculos feitos por especialistas exibidos por reportagens sobre Chico nos anos 70.” Seria superinteressante a repórter ler sobre as pesquisas de Alfred Russel Wallace, Oliver Joseph Lodge, Lord Rayleigh, William James, William Crookes, Ernesto Bozzano, Cesare Lombroso, Alexej Akzacof e muitos outros cientistas respeitáveis que estudaram o fenômeno da materialização e o admitiram. Leia, também, sobre quem eram esses cientistas, para constatar que não agiam levianamente como está na revista.
A repórter reporta-se às reuniões mediúnicas das quais Chico participava como shows que o tornaram famoso e destila seu veneno. Cita o sobrinho de Chico que, dizendo-se médium, confessou que era tudo de sua cabeça, o mesmo acontecendo com o tio. Por que passar essa informação falsa, se o próprio sobrinho de Chico, notoriamente perturbado e alcoólatra, pediu desculpas pela sua mentira? Joga penas ao vento e espera que o leitor as recolha? Omitiu também a informação de que ele confessou que pessoas interessadas em denegrir o médium pagaram-lhe pela acusação.
Eram frequentes nas reuniões a ocorrência de fenômenos como a aspersão de perfumes no ambiente, algo que, deveria saber a repórter, costuma ocorrer com os médiuns de efeitos físicos. No entanto, recusando-se a colher informações mais detalhadas sobre o assunto, limitou-se a dizer que em 1971 um repórter da revista Realidade, José Hamilton Ribeiro, denunciou que viu um dos assessores de Chico Xavier levantar o paletó discretamente e borrifar perfume no ar. Sugere que havia mistificação, aliás, uma tônica na reportagem. Por que não foram consultadas outras pessoas, inclusive centenas que tiveram seus lenços inexplicavelmente encharcados de perfume ou a água que levavam para magnetizar, a exalar também um olor suave e desconhecido que perdurava por muitos dias?
Na questão das cartas, milhares e milhares de cartas de Espíritos que se comunicavam com os familiares, sugere a repórter que assessores de Chico conversavam com as pessoas, anotando informações para dar-lhes autenticidade. Lamentável mentira. E ainda que isso acontecesse, Chico precisaria ser um prodígio para ler rapidamente as informações e inseri-las no contexto de cada mensagem, de cada espírito, mistificando sempre.
E as mensagens dirigidas a pessoas ausentes? E os recados aos presentes? Não eram só mensagens. Eram incontáveis recados. A pessoa aproximava-se de Chico e ele, sem conhecer nada de sua vida, transmitia recados de familiares desencarnados, na condição de um ser interexistente, que vivia simultaneamente a vida física e a espiritual, em contato permanente com os Espíritos.
Lembro o caso de um homem inconformado com a morte de um filho. Ia toda noite deitar-se na sepultura do rapaz, querendo “ficar com ele”. Não contava a ninguém, nem mesmo aos familiares. Em Uberaba recebeu mensagem do filho pedindo-lhe que não fizesse isso, porquanto ele não estava lá.
Durante muitos anos Chico psicografou receituário mediúnico de homeopatia. Perto de 700 receitas numa noite. Ficava horas psicografando. E os medicamentos correspondiam à natureza do mal dos pacientes, sem que o médium deles tivesse o mínimo conhecimento. Na década de 70 tive uma uveíte no olho esquerdo. Compareci à reunião de receituário. Escrevi meu nome e idade numa folha de papel. Não conversei com ninguém. Após a reunião recebi a indicação de dois medicamentos. Tornando a Bauru, onde resido, verifiquei num livro de homeopatia que o dois medicamentos diziam respeito ao meu mal. Curaram-me.
Concebesse a repórter que, como dizia Shakespeare, há mais coisas entre a Terra e o Céu do que concebe nossa vã sabedoria, e não se atreveria a escrever sobre assuntos que desconhece, com o atrevimento da ignorância.
Outras “pérolas” da reportagem:
Oferece “explicações” lamentáveis para o fenômeno Chico Xavier.
Psicose, confundindo mediunidade com anormalidade.
Epilepsia, descarga elétrica que “poderia causar alheamento, sensação de ausência, automatismo psicomotor”, segundo a opinião de um médico. Descreve algo inerente ao processo mediúnico, que não tem nada a ver com desajuste mental, ou imagina-se que o contato com o Espírito comunicante não imponha uma alteração nos circuitos cerebrais, até para que ocorra a manifestação? E porventura o médico consultado sabe de algum paciente que produza textos mediúnicos durante a crise epilética?
Criptomnésia, memórias falsas, lembranças escondidas no subconsciente do médium, ao ouvir informações sobre o morto. Inconscientemente ele “arranjaria” essas informações para forjar a “manifestação”.
Telepatia. Aqui o médium captaria informações da cabeça dos consulentes e as fantasiaria como manifestação do morto. Como dizia Carlos Imabassahy, grande escritor espírita, "inconsciente velhaco", porquanto sempre sugere que é um morto quem se manifesta, não ele próprio.
Informa a repórter que “acuado pelas críticas na Pedro Leopoldo de 15 mil habitantes, Chico resolveu fazer as malas e partir para Uberaba, um polo do Espiritismo onde contaria com um apoio de amigos”.
Mentira. Ele deixou Pedro Leopoldo, onde tinha muitos amigos, não por estar “acuado”, mas simplesmente seguindo uma orientação do Mundo Espiritual, em face de tarefas que desenvolveria em Uberaba que, então sim, com sua presença transformou-se em “polo do Espiritismo”.
Na famoso pinga-fogo a que Chico compareceu, em 1971, na TV Tupi, um marco na história das entrevistas televisivas, com uma quase totalidade de audiência, diz a repórter que Chico foi “bombardeado por perguntas. Mas se safou.” Bombardeado? Safou-se? O que foi essa entrevista, um libelo acusatório contra um mistificador? Se a repórter se desse ao trabalho de ver a entrevista toda, o que lhe faria muito bem, verificaria que o clima foi de cordialidade, de elevada espiritualidade, e que em nenhum momento os entrevistadores “bombardearam” Chico. E em nenhum momento ele deixou de responder as perguntas com a sobriedade e lisura de quem não está ali para safar-se, mas para ensinar algo de Espiritismo.
Falando da indústria (?) Chico Xavier, há um box sobre “Dieta do Chico Xavier”, que jamais seria veiculada por Chico. Usaram seu nome. Por que incluí-la nas inverdades sobre o médium, simplesmente para denegrir sua imagem, aqui sugerindo que seria ingênuo a ponto de conceber semelhante bobagem? Se eu divulgar via internet que Superinteressante recomenda o uso de cocô de galinha para deter a queda de cabelos, seria razoável que alguma revista concorrente citasse essa tolice, mencionando a suposta autoria, sem verificação prévia?
Falando dos 200 livros biográficos sobre Chico Xavier, a repórter escreve: “Tem até um de piadas, Rindo e Refletindo com Chico Xavier”. Certamente não leu o livro, porquanto não conhece nem o autor, eu mesmo, Richard Simonetti, nem sabe que não se trata de um livro de piadas, mas um livro de reflexão em torno de ensinamentos bem-humorados do médium.
Não fosse algo tão lamentável, tão séria essa agressão contra a figura respeitável e venerável de Chico Xavier, eu diria que essa reportagem, ela sim, senhor redator, foi uma piada de péssimo gosto!
Doravante porei “de molho” as informações dessa revista, sem o crédito que lhe concedia.
A repórter Gisela Branco esteve em Pedro Leopoldo e Uberaba com o propósito de situar Chico Xavier como figura mitológica. É uma pena! Não teve a sensibilidade nem o discernimento para descobrir o médium Chico Xavier, cuja contribuição em favor do progresso e bem estar dos homens foi tão marcante que, a exemplo do que disse Einstein sobre Mahatma Gandhi, “as gerações futuras terão dificuldade para conceber que um homem assim, em carne e osso, transitou pela Terra.”
E deveria saber que não vemos Chico Xavier como um mártir, conforme sugere. Não morreu pelo Espiritismo. Viveu como espírita. E se algo se aproxima de um martírio em seu apostolado, certamente foi o de suportar tolices e aleivosidades como aquelas presentes na citada reportagem.
Finalizando, um ditado Zen para reflexão dos redatores da Super:
O dedo aponta a lua.
O sábio olha a lua.
O tolo olha o dedo.
Richard Simonetti
Bauru, 3 de abril de 2010.
Nao sei se já tomaram conhecimento mas a Revista Superinteressante, que era uma referência para mim em se tratando de leitura confiável sobre diversos assuntos, publicou em sua nova ediçao, a de abril, uma matéria bastante negativa com dados enviesados sobre Chico Xavier, justamente nesse momento em que sua imagem está sendo tão carinhosamente lembrada.
É bem fácil perceber que não se trata de um artigo científico imparcial, e sim uma coletânea tendenciosa de informações truncadas com claro objetivo difamatório.
Não sou uma pessoa do tipo que idolatra ou mitifica os médiuns, vocês me conhecem. Por outro lado, respeito demais o trabalho que Chico Xavier nos legou e sei que muito crescemos com ele. Senti uma certa indignação ao ver que uma revista de tamanha projeção dedicou sua matéria de capa ao médium mineiro e tratou seu trabalho e sua história de forma desrespeitosa.
Cada um tem o direito de escrever e publicar seus pensamentos e idéias. Isso é certo. Contudo, seus leitores têm o direito de também expressar sua opinião.
O mais sério de tudo isso é o fato de haver pontos no artigo nos quais a verdade fica embotada.
O carissimo Richard Simonetti fez uma carta para a revista e a repassou para algumas pessoas.
Eu a recebi por intermedio de um amigo da Florida, o Dalmo, e estou mandando aqui para vcs.
Acho interessante promovermos uma campanha em que nós (espiritas, não espíritas, simpatizantes das idéias espíritas, ou simplesmente pessoas que admiram o trabalho belíssimo do Chico), possamos seguir o exemplo, e escrever em massa para a revista expressando tb a nossa opinião, seja ela qual for. Isso pode ser feito por carta à editora Abril ou através do site da revista:
http://super.abril.com.br/home/ (na parte de baixo da pagina há um link "fale com a redação")
Será ótimo também se vocês puderem ler o artigo antes para a seguir formar sua própria opinião. Após, podem repassar esse material para sua lista de contatos.
Segue abaixo a carta do Simonetti para o diretor de redação da revista.
Em muitos momentos nosso silêncio e nossa omissão podem representar a pior violência que sofre a verdade.
Grande e kaurinhoso abraço a todos,
Kau
www.kaumascarenhas.com.br
www.mudandoparamelhor.ning.com
...................................................................................
Senhor Sérgio Gwercman
Diretor de redação da revista Super Interessante
Sou assinante dessa revista há muitos anos. Sempre a encarei como publicação séria, fonte de informações a oferecer subsídios para meu trabalho como escritor espírita, autor de 49 livros publicados.
Essa concepção caiu por terra ao ler, na edição de abril, infeliz reportagem sobre Francisco Cândido Xavier, pretensiosa e tendenciosa, objetivando, nas entrelinhas, denegrir e desvalorizar o trabalho do grande médium.
Isso pode ser constatado já na seção “Escuta”, com sua assinatura, em que V.S. pretende distinguir respeito de reverência, como se reverência não fosse o respeito profundo por alguém, em face de seus méritos.
Podemos e devemos reverenciar Chico Xavier, não por adesão de uma fé cega, mas pela constatação racional, lúcida, lógica, de que estamos diante de uma personalidade ímpar, que fez mais pelo bem da Humanidade do que mil edições de Superinteressante, uma revista situada como defensora do bom jornalismo, mas que fez aqui o que de pior existe na mídia – a apreciação superficial e tendenciosa a respeito de alguém ou de uma notícia, com todo respeito, como pretende seu editorial, como se fosse possível conciliar o certo com o errado, o boato com a realidade, o achincalhe com o respeito.
Para reflexão da repórter Gisela Blanco e redatores dessa revista que em momento algum aprofundaram o assunto e nem mesmo se deram ao trabalho de ler os principais livros psicografados pelo médium, sempre com abordagem superficial, pretendendo “explicar” o fenômeno Chico Xavier, aqui vão alguns aspectos para sua reflexão e – quem sabe? – um cuidado maior em futuras reportagens.
De onde a repórter tirou essa bobagem de que “toda essa história começou com as cartas dos mortos?”
Se as eliminarmos em nada se perderá a grandeza de Chico Xavier. A história começa bem antes disso, com a publicação, em 1932, do livro Parnaso de Além-Túmulo, quando o médium tinha apenas 22 anos.
A reportagem diz: “Ele dizia que não escolhia os espíritos a quem atenderia, só via fantasmas e ouvia vozes. Mas parecia ser o escolhido por celebridades do céu. Cruz e Souza, Olavo Bilac, Augusto dos Anjos e Castro Alves lhe ditaram versos e prosa.”
Afirmativa maliciosa, sugerindo o pastiche, a técnica de copiar estilo literário. O repórter não se deu ao trabalho de observar que no próprio Parnaso há, nas edições atuais, 58 poetas desencarnados, menos conhecidos e até desconhecidos, como José Duro, Alfredo Nora, Alma Eros, Amadeu, B.Lopes, Batista Cepelos, Luiz Pistarini, Valado Rosa… Poetas do Brasil e de Portugal que se identificam pelo seu estilo, em poesias personalíssimas enriquecidas por valores de espiritualidade.
Não sabe ou preferiu omitir a repórter que Chico psicografou poesias de centenas de poetas desencarnados, ao longo de seus 75 anos de apostolado, na maior parte poetas provincianos, conhecidos apenas nas cidades onde residiam no interior do Brasil. Pesquisadores constatam que esses poemas não são “razoavelmente fiéis ao estilo dos autores”. São totalmente fiéis.
Não tem a mínima noção de que a técnica do pastiche, a imitação de estilo literário, é extremamente difícil, quase impossível. Pastichadores conseguem imitar uma página, uma poesia de alguém, jamais toda uma obra ou as obras de centenas de autores.
Afirma que Chico foi autodidata e leitor voraz durante toda a vida, sempre insinuando o pastiche. Leitor voraz? Passava os dias lendo? Só quem não conhece sua biografia pode falar uma bobagem dessa natureza, já que Chico passava a maior parte de seu tempo atendendo pessoas, psicografando, participando de reuniões e atendendo à atividade profissional. Não conheço um único documentário, uma única foto mostrando Chico lendo “vorazmente”. Ah! Sim! Para a repórter Chico certamente escondia isso.
Fala também que Chico teria 500 livros em sua biblioteca e que “a lista inclui volumes de autores cujo espírito o teria procurado para escrever suas obras póstumas, como Castro Alves e Humberto de Campos”.
E as centenas de poetas e escritores que se manifestaram por seu intermédio. Chico tinha livros deles? E de poetas que sequer publicaram livros?
Quanto a Humberto de Campos, cuja família tentou receber na justiça os direitos autorais pelas obras psicografadas por Chico, o que seria ótimo acontecer, o reconhecimento oficial da manifestação dos Espíritos, esqueceu-se a repórter de informar que Agripino Grieco, o mais famoso crítico literário de seu tempo, recebeu uma mensagem do escritor, de quem era amigo. Reconheceu que o estilo era autenticamente de Humberto de Campos, mas que o fato para ele não tinha explicação, já que, como católico praticante, não admitia a possibilidade de manifestação dos espíritos.
Esqueceu ou ignora que Chico, médium psicógrafo mecânico, recebia duas mensagens simultaneamente, com ambas as mãos sendo usadas por dois espíritos. Desafio Superinteressante a encontrar um prestidigitador capaz de fazer algo semelhante.
Uma pérola de ignorância jornalística está na referência sobre materialização de Espíritos: “seria necessário produzir um total de energia duas vezes maior do que é hoje produzido pela hidroelétrica de Itaipu por ano, segundo os cálculos feitos por especialistas exibidos por reportagens sobre Chico nos anos 70.” Seria superinteressante a repórter ler sobre as pesquisas de Alfred Russel Wallace, Oliver Joseph Lodge, Lord Rayleigh, William James, William Crookes, Ernesto Bozzano, Cesare Lombroso, Alexej Akzacof e muitos outros cientistas respeitáveis que estudaram o fenômeno da materialização e o admitiram. Leia, também, sobre quem eram esses cientistas, para constatar que não agiam levianamente como está na revista.
A repórter reporta-se às reuniões mediúnicas das quais Chico participava como shows que o tornaram famoso e destila seu veneno. Cita o sobrinho de Chico que, dizendo-se médium, confessou que era tudo de sua cabeça, o mesmo acontecendo com o tio. Por que passar essa informação falsa, se o próprio sobrinho de Chico, notoriamente perturbado e alcoólatra, pediu desculpas pela sua mentira? Joga penas ao vento e espera que o leitor as recolha? Omitiu também a informação de que ele confessou que pessoas interessadas em denegrir o médium pagaram-lhe pela acusação.
Eram frequentes nas reuniões a ocorrência de fenômenos como a aspersão de perfumes no ambiente, algo que, deveria saber a repórter, costuma ocorrer com os médiuns de efeitos físicos. No entanto, recusando-se a colher informações mais detalhadas sobre o assunto, limitou-se a dizer que em 1971 um repórter da revista Realidade, José Hamilton Ribeiro, denunciou que viu um dos assessores de Chico Xavier levantar o paletó discretamente e borrifar perfume no ar. Sugere que havia mistificação, aliás, uma tônica na reportagem. Por que não foram consultadas outras pessoas, inclusive centenas que tiveram seus lenços inexplicavelmente encharcados de perfume ou a água que levavam para magnetizar, a exalar também um olor suave e desconhecido que perdurava por muitos dias?
Na questão das cartas, milhares e milhares de cartas de Espíritos que se comunicavam com os familiares, sugere a repórter que assessores de Chico conversavam com as pessoas, anotando informações para dar-lhes autenticidade. Lamentável mentira. E ainda que isso acontecesse, Chico precisaria ser um prodígio para ler rapidamente as informações e inseri-las no contexto de cada mensagem, de cada espírito, mistificando sempre.
E as mensagens dirigidas a pessoas ausentes? E os recados aos presentes? Não eram só mensagens. Eram incontáveis recados. A pessoa aproximava-se de Chico e ele, sem conhecer nada de sua vida, transmitia recados de familiares desencarnados, na condição de um ser interexistente, que vivia simultaneamente a vida física e a espiritual, em contato permanente com os Espíritos.
Lembro o caso de um homem inconformado com a morte de um filho. Ia toda noite deitar-se na sepultura do rapaz, querendo “ficar com ele”. Não contava a ninguém, nem mesmo aos familiares. Em Uberaba recebeu mensagem do filho pedindo-lhe que não fizesse isso, porquanto ele não estava lá.
Durante muitos anos Chico psicografou receituário mediúnico de homeopatia. Perto de 700 receitas numa noite. Ficava horas psicografando. E os medicamentos correspondiam à natureza do mal dos pacientes, sem que o médium deles tivesse o mínimo conhecimento. Na década de 70 tive uma uveíte no olho esquerdo. Compareci à reunião de receituário. Escrevi meu nome e idade numa folha de papel. Não conversei com ninguém. Após a reunião recebi a indicação de dois medicamentos. Tornando a Bauru, onde resido, verifiquei num livro de homeopatia que o dois medicamentos diziam respeito ao meu mal. Curaram-me.
Concebesse a repórter que, como dizia Shakespeare, há mais coisas entre a Terra e o Céu do que concebe nossa vã sabedoria, e não se atreveria a escrever sobre assuntos que desconhece, com o atrevimento da ignorância.
Outras “pérolas” da reportagem:
Oferece “explicações” lamentáveis para o fenômeno Chico Xavier.
Psicose, confundindo mediunidade com anormalidade.
Epilepsia, descarga elétrica que “poderia causar alheamento, sensação de ausência, automatismo psicomotor”, segundo a opinião de um médico. Descreve algo inerente ao processo mediúnico, que não tem nada a ver com desajuste mental, ou imagina-se que o contato com o Espírito comunicante não imponha uma alteração nos circuitos cerebrais, até para que ocorra a manifestação? E porventura o médico consultado sabe de algum paciente que produza textos mediúnicos durante a crise epilética?
Criptomnésia, memórias falsas, lembranças escondidas no subconsciente do médium, ao ouvir informações sobre o morto. Inconscientemente ele “arranjaria” essas informações para forjar a “manifestação”.
Telepatia. Aqui o médium captaria informações da cabeça dos consulentes e as fantasiaria como manifestação do morto. Como dizia Carlos Imabassahy, grande escritor espírita, "inconsciente velhaco", porquanto sempre sugere que é um morto quem se manifesta, não ele próprio.
Informa a repórter que “acuado pelas críticas na Pedro Leopoldo de 15 mil habitantes, Chico resolveu fazer as malas e partir para Uberaba, um polo do Espiritismo onde contaria com um apoio de amigos”.
Mentira. Ele deixou Pedro Leopoldo, onde tinha muitos amigos, não por estar “acuado”, mas simplesmente seguindo uma orientação do Mundo Espiritual, em face de tarefas que desenvolveria em Uberaba que, então sim, com sua presença transformou-se em “polo do Espiritismo”.
Na famoso pinga-fogo a que Chico compareceu, em 1971, na TV Tupi, um marco na história das entrevistas televisivas, com uma quase totalidade de audiência, diz a repórter que Chico foi “bombardeado por perguntas. Mas se safou.” Bombardeado? Safou-se? O que foi essa entrevista, um libelo acusatório contra um mistificador? Se a repórter se desse ao trabalho de ver a entrevista toda, o que lhe faria muito bem, verificaria que o clima foi de cordialidade, de elevada espiritualidade, e que em nenhum momento os entrevistadores “bombardearam” Chico. E em nenhum momento ele deixou de responder as perguntas com a sobriedade e lisura de quem não está ali para safar-se, mas para ensinar algo de Espiritismo.
Falando da indústria (?) Chico Xavier, há um box sobre “Dieta do Chico Xavier”, que jamais seria veiculada por Chico. Usaram seu nome. Por que incluí-la nas inverdades sobre o médium, simplesmente para denegrir sua imagem, aqui sugerindo que seria ingênuo a ponto de conceber semelhante bobagem? Se eu divulgar via internet que Superinteressante recomenda o uso de cocô de galinha para deter a queda de cabelos, seria razoável que alguma revista concorrente citasse essa tolice, mencionando a suposta autoria, sem verificação prévia?
Falando dos 200 livros biográficos sobre Chico Xavier, a repórter escreve: “Tem até um de piadas, Rindo e Refletindo com Chico Xavier”. Certamente não leu o livro, porquanto não conhece nem o autor, eu mesmo, Richard Simonetti, nem sabe que não se trata de um livro de piadas, mas um livro de reflexão em torno de ensinamentos bem-humorados do médium.
Não fosse algo tão lamentável, tão séria essa agressão contra a figura respeitável e venerável de Chico Xavier, eu diria que essa reportagem, ela sim, senhor redator, foi uma piada de péssimo gosto!
Doravante porei “de molho” as informações dessa revista, sem o crédito que lhe concedia.
A repórter Gisela Branco esteve em Pedro Leopoldo e Uberaba com o propósito de situar Chico Xavier como figura mitológica. É uma pena! Não teve a sensibilidade nem o discernimento para descobrir o médium Chico Xavier, cuja contribuição em favor do progresso e bem estar dos homens foi tão marcante que, a exemplo do que disse Einstein sobre Mahatma Gandhi, “as gerações futuras terão dificuldade para conceber que um homem assim, em carne e osso, transitou pela Terra.”
E deveria saber que não vemos Chico Xavier como um mártir, conforme sugere. Não morreu pelo Espiritismo. Viveu como espírita. E se algo se aproxima de um martírio em seu apostolado, certamente foi o de suportar tolices e aleivosidades como aquelas presentes na citada reportagem.
Finalizando, um ditado Zen para reflexão dos redatores da Super:
O dedo aponta a lua.
O sábio olha a lua.
O tolo olha o dedo.
Richard Simonetti
Bauru, 3 de abril de 2010.
SER CRIATIVO
quinta-feira, 1 de abril de 2010

Para compreendermos a criatividade basta olharmos uma criança colorindo sua louza ou seu papel, ela pinta e desenha de forma livre, solta, desprendida de qualquer limitação ou regra. Seu processo é espontâneo e autêntico. Assim, podemos pensar que a criatividade nasce da liberdade de expressão, da sensibilidade do “ser” ou do simples fazer. WOLFGANG AMADEUS MOZART (1756-1791), já dizia: “Quando estou só, inteiramente só, e de bom humor, digamos viajando numa carruagem, ou passeando depois de uma boa refeição, ou durante a noite quando não consigo dormir, é nestas ocasiões que as idéias fluem melhor e mais abundantemente. De onde vêm e como, nada sei, nem posso forçá-las”. E segundo PABLO PICASSO (1880-1972): “O importante na arte não é buscar, é poder encontrar”. Fayga Ostrower, fala do acaso como um catalisador de potencialidades e de estímulos para a criatividade. O maior acaso de nossas vidas seria nossa própria existência, logo nossas potencialidades, nossa modo de sentir e perceber o mundo e as sensações que ele no oferece relacionando-o com os conteúdos internos que trazemos. O “ser” criativo é a soma da sensibilidade, da imaginação, da intuição, da singularidade de cada pessoa aliada à necessidade e a receptividade, pois, quanto mais se abre o canal da criatividade, mais estaremos abertos a novas possibilidades. A criatividade é tornar visível o invisível, é criar um diálogo entre real e o abstrato.
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